Ateísmo é religião?

Há pou­cos dias, eu estive lendo alguns cons­pi­ra­ci­o­nis­tas céle­bres da blo­gos­fera naci­o­nal e aca­bei desa­ba­fando no Twitter:

twitterpub em Ateísmo é religião?
Estra­nho ima­gi­nar que escre­ver no Twit­ter é como se pro­nun­ciar diante de umas cen­te­nas de pes­soas que ficam olhando cons­tan­te­mente pra você.

Li esta frase há algum tempo mas não me recordo ao certo quem é o autor — tem cara de ser do Daw­kins. O comen­tá­rio reper­cu­tiu e, para minha feli­ci­dade, um lei­tor que nunca havia se pro­nun­ci­ado antes, Sr. Coi­si­nha, ela­bo­rou um bom argu­mento que vai de encon­tro à minha ideia. Inclu­sive, apontou-me a falá­cia do apri­o­rismo den­tro desta “minha frase do Daw­kins” (perdoem-me, mea culpa). Eis aqui seu comen­tá­rio, que sali­ento ser ótimo:
 

Posso suge­rir a pró­xima falá­cia? Falá­cia da pres­su­po­si­ção falsa, você já tem até um exem­plo pronto: “Como dizem, afir­mar que ateísmo é reli­gião seria o mesmo que afir­mar que cal­ví­cie é uma cor de cabelo” (Cafe­tron). Da última vez que eu ví, ateísmo pres­su­pu­nha fé na ine­xis­tên­cia de deu­ses, tente adi­vi­nhar a defi­ni­ção fun­ci­o­nal para reli­gião: “Um sis­tema de cren­ças supor­tado com ardor e/ou fé”, Pres­su­po­si­ções errô­neas: a) ateísmo não neces­sita de fé; b) para ser uma reli­gião é neces­sá­ria a exis­tên­cia de dog­mas. Creio que o mais ade­quado, caso você que­ria con­ser­tar sua ana­lo­gia, seja subs­ti­tuir ateísmo por agnos­ti­cismo empí­rico, já que o estrito denota fé.

 
Por que estou enfa­ti­zando tanto que gos­tei de ser dis­cor­dado? Acon­tece que dis­cor­dar é dife­rente de trol­lar. Todos nós deve­ría­mos nos ale­grar quando um evento des­ses toma forma, pois argu­men­tos con­cre­tos que con­fron­tam nosso ponto de vista são a base para uma dis­cus­são sau­dá­vel e fru­tí­fera para ambos os lados. Além disso, serve de ins­tru­mento para que você reveja se seus con­cei­tos ainda são ade­qua­dos e se há a neces­si­dade de repen­sar sobre um assunto. Você não quer se ater a uma opi­nião cega­mente e viver agar­rado a ele por puro pre­con­ceito para o resto dos seus dias, certo? O que você diria para seus netos?

Como eu gos­tei da brin­ca­deira do Sr. Coi­si­nha, e levando em con­si­de­ra­ção que este blog é meu e tenho pode­res sobre­na­tu­rais sobre ele, vou rever­ter a con­clu­são, baseando-se por seu comen­tá­rio e mos­trando que nele tam­bém há uma falácia.

CONCLUSÃO: Ateísmo é religião.

RAZÃO: Assim como a reli­gião, o ateísmo é um sis­tema de cren­ças supor­tado com ardor e/ou fé.

Con­fesso que nunca pen­sei do seguinte modo, mas — é ver­dade — ateus são cren­tes. Obri­gado, Sr. Coisa, por expan­dir minha visão. Os ateus são cren­tes de que não existe uma força maior por trás dos fenô­me­nos natu­rais (sendo que nada é impos­sí­vel; impro­vá­vel, tal­vez). Por defi­ni­ção, esta é uma ques­tão de fé, pois o ateu tomou uma posi­ção em rela­ção à exis­tên­cia ou não de enti­da­des divi­nas, sem pos­suir evi­dên­cias con­cre­tas que cor­ro­bo­rem sua decisão.

A ausên­cia de evi­dên­cia não é evi­dên­cia da ausência.

Esta posi­ção é dife­rente da posi­ção de um agnós­tico que, por sua vez, não toma posi­ção alguma; ser agnós­tico é sim­ples­mente acei­tar o fato de que não há evi­dên­cias sobre a exis­tên­cia de deu­ses, bem como não há como com­pro­var empi­ri­ca­mente que não exista; a con­clu­são fica em sus­penso até um momento mais oportuno.

Mas a falá­cia no argu­mento do Sr. Coi­si­nha não se rela­ci­ona à fé ateísta, mas à defi­ni­ção de reli­gião per se.

Sua con­clu­são final de que “ateísmo é uma reli­gião” só pode ser ver­da­deira se assu­mir­mos que, para con­se­guir a qua­li­fi­ca­ção de reli­gião, basta ter fé. Esta é a falá­cia do redu­ci­o­nismo[1]. Per­ceba que o con­ceito de reli­gião em si foi sim­pli­fi­cado para um único pré-requisito. Em con­tra­par­tida, consta no dici­o­ná­rio Auré­lio[2] que reli­gião pode ter uma rela­ção nume­rosa de con­cei­tos, como:

  • Crença na exis­tên­cia de uma força ou for­ças sobre­na­tu­rais, considerada(s) como criadora(s) do Uni­verso, e que como tal deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s);
  • A mani­fes­ta­ção de tal crença por meio de dou­trina e ritu­ais pró­prios, que envol­vem, em geral, pre­cei­tos éticos;
  • Reve­rên­cia a coi­sas sagra­das, ou seja, pro­fun­da­mente res­pei­tá­veis, que não podem ser infri­gi­das ou violadas;
  • Qual­quer fili­a­ção a um sis­tema espe­cí­fico de pen­sa­mento ou crença que envolve uma posi­ção filo­só­fica, ética, meta­fí­sica etc.

Den­tre essas, ao meu ver, o con­ceito de ateísmo se enqua­dra tão mal quanto o con­ceito do pró­prio teísmo, pois ambas dis­pen­sam ritu­ais e dou­tri­na­ções por defi­ni­ção — uma pes­soa pode ser teísta e não ter reli­gião, por exem­plo. Per­ceba, então, que o ateísmo se encaixa muito bem somente no último item.

Curi­o­si­dade
Em rela­ção ao pri­meiro item, pre­cisa mesmo haver uma enti­dade divina e con­tro­la­dora para que a reli­gião se con­cre­tize? Você tal­vez se lem­bre do caso inte­res­sante do Budismo. Em algu­mas de suas ver­ten­tes, a idéia de um ser supe­rior que maes­tra o Uni­verso, ou não existe, ou é bem limi­tada[3]. Tais esco­las, que são bem recep­ci­o­na­das no Oci­dente, embora vis­tas erro­ne­a­mente por alguns como nihi­lis­tas, são o cen­tro de gran­des dis­cus­sões sobre como devem ser cha­ma­das: reli­gião ou filo­so­fia de vida?

Por­tanto, como o ateísmo envolve uma crença que defende uma posi­ção filo­só­fica (nega­ção de uma força meta­fí­sica maior), mas não venera o sagrado, tam­pouco envolve dou­tri­nas ou ritu­ais pró­prios (salve comer uma por­ção de fri­tas no boteco com ami­gos e filo­so­far sobre a não-existência dos deu­ses), creio que seria ade­quado clas­si­fi­car ateísmo mais como uma sim­ples “crença” do que como “religião”.

PORÉM: Tudo bem, ateísmo pode não ser uma reli­gião, mas a ana­lo­gia entre ateísmo e cal­ví­cie, pre­vi­a­mente citada por mim no Twit­ter, não deixa de estar errada. Ao fazer a com­pa­ra­ção, foi como dizer que um ateu é aquele que não tem reli­gião, quando, na ver­dade, é pos­sí­vel haver reli­gi­o­sos ateus [4], assim como ateus reli­gi­o­sos[5].

Espero que tenham tirado algum pro­veito deste exem­plo de como raci­o­na­li­zar sobre um dis­curso. Façam como o Sr. Coi­si­nha. Lembrem-se de não ter medo de, por alguns ins­tan­tes, usar os óculos do ponto de vista con­trá­rio, pois como disse Eli­e­zer Yud­kowsky[6]:
 

A segunda vir­tude (da Razão) é a renún­cia. P. C. Hod­gell disse: “O que pode ser des­truído pela ver­dade, que seja”. Não foge de expe­ri­ên­cias que pos­sam des­truir tuas cren­ças. O pen­sa­mento que não podes pen­sar controla-te mais do que os pen­sa­men­tos que dizes em voz alta. Submete-te a pro­vo­ca­ções e testa-te em fogo. Renun­cia a emo­ção que repousa sobre uma crença equi­vo­cada e pro­cura sentir-te ple­na­mente que é a emo­ção que se encaixa aos fatos. Se o ferro se apro­xima do teu rosto, e achas que é quente, e é frio, o Cami­nho se opõe a seu medo. Se o ferro se apro­xima do teu rosto, e achas que é frio, e é quente, o Cami­nho se opõe à tua calma. Ava­lia as tuas cren­ças pri­meiro e só depois chega às tuas emo­ções. Deixa-te dizer: “Se o ferro está quente, eu desejo acre­di­tar que é quente, e se for frio, e desejo acre­di­tar que é frio”. Não te apega a cren­ças que não podes querer.

 
E depois vêm me falar que cien­tis­tas não sabem enter­rar ser român­ti­cos. E mais uma vez: acalmem-se. O resul­tado daquela pes­quisa com núme­ros não foi esque­cido, nem a con­ti­nu­a­ção do Falaciorum.

Bei­gos,
Cafetron.

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Refe­rên­cias:
  1. Wiki­pe­dia con­tri­bu­tors. “Gre­edy reduc­ti­o­nism.” Wiki­pe­dia, The Free Ency­clo­pe­dia. 28 Jan. 2010. Web. 5 Apr. 2010. []
  2. Fer­reira, Aurélio. Novo dicionário Aurélio da lín­gua por­tu­guesa. 1st ed. Rio de Janeiro: Edi­tora Nova Fron­teira, 1987. []
  3. Cline, Aus­tin. “Buddhism and Atheism.” About.com: Agnos­ti­cism / Atheism. 28 Nov. 2005. 05 Apr. 2010. []
  4. Cline, Aus­tin. “Are there Any Atheis­tic Reli­gi­ons? Can an Atheist Be Part of Any Reli­gion?” About.com: Agnos­ti­cism / Atheism. 06 Apr. 2010. []
  5. Hor­gan, Lara. “The Reli­gi­ous Atheist.” Sha­des of Sen­ti­ence. 17 Nov. 2009. 06 Apr. 2010 []
  6. Yud­kowsky, Eli­e­zer S. “Twelve Vir­tues of Rati­o­na­lity.” Yudkowsky.net. 08 Apr. 2010. []

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Melhores da semana

Olá, jovens gafa­nho­tos. Tenho em mente que mui­tos estão ansi­ando lou­ca­mente pela con­ti­nu­a­ção do Fala­ci­o­rum, o Bara­lho das Falá­cias. É com um pouco de pesar que devo lhes aler­tar: pró­xi­mas car­tas, só na semana que vem. Mas o motivo é muito bonito, viu? O Tio Coffe aqui foi orgu­lho­sa­mente requi­si­tado para aju­dar com um tra­ba­lho final de facul­dade; uma car­ti­lha sobre higi­ene pes­soal no for­mato de his­tó­ria em qua­dri­nhos. Então, para ficar do bala­co­baco, dedicar-me-ei inte­gral­mente a essa nobre quest pelos pró­xi­mos dias. Se a autora per­mi­tir, publi­ca­rei o tra­ba­lho aqui para o deleite geral.

Enquanto isso, vou me ins­pi­rar na solu­ção do Nerd­son (não conhece ainda?) e saciá-los com os últi­mos assun­tos com os quais andei per­dendo tempo:

UVB-76, a Buzina Russa — se você pos­sui um rádio de ondas cur­tas, sintonize-o em 4625 kHz. Está ouvindo um som inter­mi­tente e irri­tante? Pois saiba que essa buzina tem sido trans­mi­tida há 30 anos ini­ter­rup­ta­mente com uma potên­cia fora do alcance de meros nerds hob­bis­tas. Para ser sin­cero, eu menti — em três déca­das houve ape­nas três inter­rup­ções que ocor­re­ram da mesma maneira: a buzina era gra­da­ti­va­mente subs­ti­tuida por uma voz mas­cu­lina, que ditava uma seqüên­cia de núme­ros e nomes esla­vos. Em seguida, ouvia-se alguns segun­dos de silên­cio e a buzina vol­tava a ope­rar. Pense: alguém tem tido a pachorra de dar manu­ten­ção a uma apa­re­lha­gem pro­va­vel­mente muito cara, que trans­mite uma buzina a mui­tos kil­lowatts durante déca­das, jun­ta­mente com uma lista de nomes e núme­ros em russo. Se não bas­tasse o som pare­cer sair do pró­prio inferno, nin­guém sabe ao certo de onde ela vem e para qual pro­pó­sito, ape­sar de haver espe­cu­la­ções. Diga se não é de gelar a alma.

Como eu rou­ba­ria sua senha — chega a ser ver­go­nhoso con­fir­mar que ainda exis­tem pes­soas cujas senhas sejam “123456”, “senha” ou a data de ani­ver­sá­rio. Leia a opi­nião de um espe­ci­a­lista em segu­rança digi­tal, que inclui uma tabela com a quan­ti­dade de tempo neces­sá­ria para sua senha idi­ota ser que­brada por brute force.

A Lei de Fitts — sabe quando você está a escre­ver um e-mail ácido e vio­lento para seu chefe, e de repente muda de idéia, mas aci­den­tal­mente clica em “Enviar” ao invés do botão ime­di­a­ta­mente ao lado, “Can­ce­lar”? A boa notí­cia: existe uma fór­mula mate­má­tica que prevê a qual dis­tân­cia tais botões devem per­ma­ne­cer uns dos outros. A má: até o Goo­gle parece ignorá-la.

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Ciência & Tecnologia

Falaciorum #1

falaciorum01 em Falaciorum #1

Segundo o Big Bad Auré­lio Daddy: Falá­cia s.f. Engano, ilu­são, sofisma. / Filo­so­fia. Argu­mento cap­ci­oso que induz a erro.

Roti­nei­ra­mente somos bom­bar­de­a­dos por raci­o­cí­nios mal con­cluí­dos e argu­men­tos esqui­si­tos que fazem a lógica ago­ni­zar de dor. Mui­tas vezes não é pro­po­si­tal — mas mui­tas vezes, sim. As falá­cias podem ser facil­mente encon­tra­das em dis­cur­sos polí­ti­cos, reli­gi­o­sos, cien­tí­fi­cos e no Orkut.

Meu intento era dis­po­ni­bi­li­zar um guia rápido de falá­cias que fosse fácil de memo­ri­zar e não lhe dei­xasse mais ser enga­nado facil­mente. Obvi­a­mente que se eu escre­vesse uma parede tex­tual con­tra um fundo branco, você se recor­da­ria de cada item tanto quanto se lem­bra do ante­pe­núl­timo qua­dro de sudoku que você não resolveu.

Então — você deve estar se per­gun­tando — qual é a melhor maneira de des­fi­lar as falá­cias e fazer com que todos se lem­brem facil­mente? Oras, car­tas de Magic! As figu­ri­nhas, no geral, ser­vem muito bem para esse pro­pó­sito. Quem aí já cole­ci­o­nou as figu­ri­nhas do sau­doso cho­co­late Sur­presa e não é capaz de citar o nome popu­lar e cien­tí­fico de todos os dinos­sau­ros e ani­mais do Cer­rado que já teve na infância?

Por­tanto, este catá­logo ilus­trado ser­virá para que você preste aten­ção e inter­prete mais cri­ti­ca­mente os dis­cur­sos a sua volta; serve tam­bém para você medir suas pró­prias pala­vras. Eu mesmo já devo ter usado umas 106 falá­cias em toda minha vida.

A lista de itens é extensa, por­tanto este é o alvo­re­cer de uma série que lhe agra­ci­ará com dois per­so­na­gens por tiri­nha (quin­ze­nal­mente ou men­sal­mente, depen­derá do meu humor). Puxa vida, acho que mereço um cho­co­late Sur­presa agora.

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Tirinhas , , , ,

Homenagem a Glauco Villas Boas

glauco em Homenagem a Glauco Villas Boas

A polí­cia sus­pei­tava de assalto. Em seguida, sol­ta­ram uma outra ver­são: um dos car­tu­nis­tas mais pro­lí­fi­cos do Bra­sil estava com o filho em seu apar­ta­mento quando foi ren­dido por um adepto sui­cida da Igreja do Santo Daime que pen­sava ser Jesus Cristo. Ao fazê-lo mudar de ideia, pai e filho toma­ram um tiro cada um. E deu certo! — o sui­cida mudou de ideia e fugiu. Con­clu­são: chá de cipó alu­ci­nó­geno e armas de fogo são uma pés­sima idéia.

Soa como enredo para uma tiri­nha ácida do Glauco, mas a rea­li­dade nos acer­tou crua e fria como um bife na cara, dei­xando uma horda de fãs entris­te­ci­dos nesta semana. Ape­sar da minha revolta, creio que não seria justo da minha parte afir­mar que a reli­gião fez mais uma vítima. O assas­sino pode­ria estar sob delí­rio indu­zido por uma subs­tân­cia con­si­de­rada sagrada, mas aposto que estava bem lúcido quando nego­ciou uma arma; pode­ria pen­sar ser o Flash­man, ao invés de achar que era a rein­car­na­ção de Jesus Cristo. O pró­prio Glauco era dai­mista e tal fato, segundo ele, fazia dele uma pes­soa melhor e feliz.

Glauco,
Nós, fãs, esta­mos aqui rindo… de saudades.

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Comportamento, Imagens, Tirinhas

Papo para bovinos dormirem

colchoes em Papo para bovinos dormirem

Diário de bordo, data gre­go­ri­ana: sexta-feira à noite em casa.

Àque­les que não desis­ti­ram do velho Coffe aqui, que não tira­ram os olhos do hori­zonte e não dele­te­ram de seus rea­ders este humilde feed que vos recheia quase-semanalmente: obri­gado, vocês mere­cem uma estre­li­nha do Mario. Aos outros — que não depo­si­ta­ram um pingo de fé na sobre­vi­vên­cia do blog — espero que tenham crise de solu­ços durante um pon farr.

“Férias” uma ova de pás­coa; meu expe­di­ente se ras­te­jou até dia 23 de dezem­bro e, a par­tir do ime­di­ato fim da semana de recesso cor­po­ra­tivo, tenho ras­te­jado pelo labo­ra­tó­rio desde o desa­bro­char de janeiro. Eis o motivo de minha ausên­cia pro­lon­gada. Ainda não me recu­pe­rei por com­pleto, nos horá­rios de almoço e janta estou ten­tando me rea­bi­li­tar na pro­cras­ti­na­ção criativa.

Mas não importa! O site está de volta com aquele mojo de sem­pre. Neste meio-tempo recebi mui­tas pala­vras de apoio e cari­nho, ago­nia e deses­pero; e tam­bém um punhado de per­gun­tas intri­gan­tes pelo for­mu­lá­rio de Acon­se­lha­mento Online, tais como “gosto do Fla­vi­nho, como fas/?”, “keria saber como faser dor­gas em casa” e — a mais dífi­cil até agora — “bauru sem tomate é misto?”. Ao autor desta per­gunta, faço de sua inter­ro­ga­ção a minha, pois tam­bém não sei.

Não menos­pre­zando todas essas dúvi­das, mas tan­tas soma­das não batem a incógnita-mór: o que há de errado com os ven­de­do­res de col­chões?! Parti hoje à pro­cura de um col­chão novo e assisti a um des­file de loro­tas ale­gó­ri­cas ensi­na­das por, pro­va­vel­mente, os pró­prios fabri­can­tes. Fala-se entre o con­clave cien­tí­fico de Hollywood que os fil­mes de fic­ção deve­riam se ater a, no máximo, uma gafe cien­tí­fica por filme. Sugiro a impor­ta­ção dessa idéia para as lojas de cama, mesa & banho:

“Col­chões que neu­tra­li­zam sua ele­tri­ci­dade”?
Só se o ter­ceiro pino da tomada da cama esti­ver aterrado.

“Íons de prata para evi­tar a trans­pi­ra­ção”?
Para evi­tar fun­gos, tal­vez, mas nem mesmo o Sur­fista Pra­te­ado deve ser livre dos deso­do­ran­tes prateados.

E, por fim, um col­chão feito com o mesmo mate­rial da roupa selada de um astro­nauta pos­si­vel­mente o mata­ria, já que a espuma de poliu­re­tano visco-elástico — ou “mate­rial gos­to­si­nho dos infer­nos” real­mente inven­tado pela NASA para acol­cho­a­dos em aero­na­ves — exige tan­tos retardantes-de-chama na com­po­si­ção que o con­tato pro­lon­gado pode cau­sar pro­ble­mas res­pi­ra­tó­rios a longo prazo.

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Ciência & Tecnologia, Comportamento, Tirinhas