Um Estranho numa Terra Estranha — Resenha

Ao longo de sua car­reira como escri­tor, Robert A. Hein­lein desen­vol­veu uma notá­vel habi­li­dade de arra­nhar o ego da soci­e­dade, de forma gra­ci­osa e ino­cente, tal como um bebê brin­cando com uma tesoura des­tra­vada de jar­dim. Porém, Hein­lein, ao con­trá­rio do bebê, pos­suía uma pre­ci­são cirúr­gica. Em seu livro de 1961 cha­mado Um Estra­nho numa Terra Estra­nha (em inglês, Stran­ger in a Strange Land), emer­gem tópi­cos como soci­e­da­des anar­quis­tas, homos­se­xu­a­lismo, paci­fismo, sexo livre, con­su­mismo exa­ge­rado, con­tes­ta­ção das ins­ti­tui­ções cris­tãs e outros tópi­cos que jamais seriam per­mi­ti­dos durante um jan­tar em famí­lia; em suma, uma crí­tica cer­teira con­tra o falso mora­lismo e a fre­nezi capi­ta­lista insus­ten­tá­vel daquela década, embru­lhado em uma fic­ção cien­tí­fica futu­rista e alienígena.

O romance gira em torno de Michael Valen­tine, uma cri­ança bas­tarda que nas­ceu durante a pri­meira expe­di­ção ter­rá­quea em Marte e que cres­ceu entre os mar­ci­a­nos até os 18 anos, quando foi encon­trado por uma segunda expe­di­ção e tra­zido de volta à Terra. Um dos pon­tos que mais me agra­da­ram neste livro foi a mano­bra ado­tada por Hein­lein para abor­dar a dife­rença cul­tu­ral entre os seres huma­nos e um ser que foi cri­ado por uma civi­li­za­ção com­ple­ta­mente dife­rente — o que me lem­brou daquela antiga his­tó­ria da menina que foi cri­ada por lobos desde bebê e quando foi encon­trada pela civi­li­za­ção, não se com­por­tava como um humano, mas sim como sua matilha.

Nor­mal­mente, em fic­ções cien­tí­fi­cas, vê-se ali­e­ní­ge­nas abor­dando a Terra e pla­ne­jando estra­té­gias mili­ta­res mira­bo­lan­tes para nos des­truir / nos comer / nos ense­mi­nar — que pen­sa­mento dema­si­ado humano! Esque­ce­mos que uma espé­cie que abriu cami­nho pela sele­ção natu­ral em um ambi­ente total­mente alheio pode não ter nada em comum conosco; Michael des­co­nhece con­cei­tos como pressa, insulto, reli­gião ou posse, o que não é de admi­rar, já que mui­tos des­ses con­cei­tos são tam­bém des­co­nhe­ci­dos entre alguns povos da Terra, o que dirá sobre Marte. Michael tam­bém é capaz de levi­tar obje­tos, curar doen­ças espon­ta­ne­a­mente, usar a tele­pa­tia e desa­fiar as leis físi­cas conhe­ci­das à sua von­tade, mas é inca­paz de ensi­nar a um ter­rá­queo como repro­du­zir esses tru­ques. Segundo ele, seria neces­sá­rio antes gro­kar alguns con­cei­tos facil­mente expli­ca­dos no idi­oma mar­ci­ano, mas sem cor­res­pon­den­tes nas lín­guas humanas.

Ganha­dor de mui­tos prê­mios e eleito um dos melho­res livros de fic­ção cien­tí­fica do século, Um Estra­nho numa Terra Estra­nha é uma trama mui­tís­simo bem ela­bo­rada que ser­viu de estan­darte para a revo­lu­ção cul­tu­ral dos anos 70, e ainda con­fere per­so­na­gens elo­quen­tes que freqüen­te­mente eje­tam fra­ses dig­nas para serem exi­bi­das no seu per­fil do Orkut. Além do mais, se não fosse tão bom, eu não teria o tra­ba­lho de escre­ver este post. Vai encarar?

Binaural beating ou drogas à volonté

Aprenda o que é binau­ral bea­ting e como esta pro­pri­e­dade do cére­bro é capaz de simu­lar emo­ções e sen­sa­ções cau­sa­das por agen­tes psi­co­tró­pi­cos, como os efei­tos da cocaína, ecs­tasy, café, cho­co­late e outras dro­gas. Tudo de que você pre­cisa é um fone de ouvido e boa von­tade para ouvir alguns minu­tos dos sons mais bizar­ros e ali­e­ní­ge­nas já pro­du­zi­dos por um computador.

(Update 06/08/2008 @ 16:59) Siga até o final do post para encon­trar o pote de mel e endor­fina em for­mato MP3.

O que diria se hou­vesse uma maneira de dia­bé­ti­cos sen­ti­rem os efei­tos psi­co­tró­pi­cos de um bom­bon­zão “Sonho de Valsa” sem pre­ci­sar levar o cacau à güela? Ou até mesmo — e aqui começa a parte do texto que vai lhe pes­car toda a aten­ção — sen­tir os cho­ques de um orgasmo relâm­pago sem con­ta­tos físi­cos ou pesa­res na cons­ci­ên­cia? “Minha nossa, que gos­to­sura!”, pensa você ainda na parte do bombom.

A mente humana é uma cri­ança ingê­nua que pode ser enga­nada atra­vés de uma miríade de tru­ques e um deles é o binau­ral bea­ting. “Como fun­ci­ona, tio Coffe?”. Vou te con­tar, e você tem com­pleta per­mis­são de pas­sar a dica adi­ante: o cére­bro humano tra­ba­lha em deter­mi­na­das freqüên­cias de acordo com seu estado de cons­ci­ên­cia; temos uma freqüên­cia enquanto dor­mi­mos (< 4 Hz) , enquanto vamos ao banheiro (7−13 Hz) ou enquanto joga­mos video-game (> 40 Hz). Se mer­gu­lhar­mos nosso incons­ci­ente em ruído com a mesma freqüên­cia, for­ça­mos o cére­bro a tra­ba­lhar no estado em que dese­jar­mos, como suge­rem estu­dos cien­tí­fi­cos cita­dos na inlu­di­briá­vel Wiki­pé­dia.

Nos­sos ouvi­dos não detec­tam sons abaixo de 20 Hz, então como tirar pro­veito des­sas freqüen­cias? É aqui onde tira­mos pro­veito dos bugs em nosso cére­bro: dizem uns cien­tis­tas que se ouvi­mos um ruído de 400 Hz em um ouvido e o mesmo ruído a 420Hz no outro, nosso cére­bro o inter­preta como 420 — 400 = 20 Hz. Sendo assim, seria pos­sí­vel gerar ondas sono­ras por pro­gra­mas de com­pu­ta­dor para simu­lar efeito de sono, sonho indu­zido, eufo­ria, rela­xa­mento etc. É pos­sí­vel até mesmo indu­zir o cére­bro a geren­ciar à sua von­tade a pro­du­ção de endor­fi­nas e/ou subs­tân­cias e sen­sa­ções carac­te­rís­ti­cas de algu­mas drogas.

Apli­ca­ti­vos emu­la­do­res de bati­mento binaural:

A res­peito desse assunto, você pro­va­vel­mente já ouviu falar no iDo­ser. Não colo­ca­rei um link para ele, por­que além de uti­li­zar des­cri­mi­na­da­mente a engine do sba­gen (que é open source — coisa linda de Deus), a empresa que o “pro­gra­mou” pas­sou a cobrar pelos sets novos e a ven­der arqui­vos que simu­lam psi­co­a­ti­vos dupli­ca­dos, mas com nomes dife­ren­tes, pelo que andei des­co­brindo por aí. Como sou poli­ti­ca­mente cor­reto, espero des­truir a ima­gem dos caras atra­vés deste post, ao não dis­po­ni­bi­li­zar um link para o site em ques­tão. Do fundo do cara­ção: mor­ram, caras do iDo­ser. Sou mau­zão, minha nossa.

O que eu mais brin­quei ao longo da minha vida foi com o Brainwave Gene­ra­tor, cujo set para dores de cabeça fun­ci­o­nou mara­vi­lhas em algu­mas horas, em outras não. Agora que sou uma pros­ti­tuta do Linux, estou expe­ri­men­tando o sba­gen e estou adorando.

Ei, você aí atrás que curte uns lan­ces da Nova Era; Está se sen­tindo fra­cas­sado por­que todos seus ami­gos espi­ri­tu­al­mente bom­ba­dos têm cha­kras bem tor­ne­a­dos e você mal con­se­gue ver espí­ri­tos até no jogo do Ghost Bus­ters para o Nin­ten­di­nho? Saiba que algu­mas freqüên­cias aju­dam na medi­ta­ção e a esti­mu­lar cada cha­kra, inclu­sive o do ter­ceiro olho, hum.

Eis aqui um son­zi­nho para você fazer um test-drive. O set se chama “Cha­kra Sti­mu­la­tion and Balance 2.1 by Faded” e está dis­po­ní­vel para as ver­sões com­ple­tas do Brainwave Gene­ra­tor, e foi gra­vado em MP3 para que você possa ouvir sem a neces­si­dade de ins­ta­lar o programa.

Down­load: 58MB, Mp3 128kbps

Todos esses pro­gra­mas são bem docu­men­ta­dos e pos­suem uma comu­ni­dade bas­tante vasta, basta pro­cu­rar que há milha­res de sets cus­to­mi­za­dos, cada um para um pro­pó­sito. Bom baru­lhi­nho esqui­sito pra você!

OBSERVAÇÕES
UTILIZE FONES DE OUVIDO. O efeito de binau­ral bea­ting não fun­ci­ona se você esti­ver usando cai­xas de som por um motivo bas­tante óbvio, não? Além do mais, evita que seus ami­gos ouçam tam­bém e te achem esqui­sito. Sério mesmo.

PROBLEMAS COM O SBAGEN
Em algu­mas dis­tri­bui­ções do Linux, o sis­tema de saída de som é feito pelo ALSA ao invés do OSS, que uti­liza o /dev/dsp. Neste caso, se o pro­grama esti­ver retor­nando erro ao emi­tir algum som, uti­lize o apt-get para ins­ta­lar alguns paco­tes de compatibilidade.

sudo apt-get install alsa-oss oss-compat

Feito isso, rei­ni­cie a máquina.

AVISO
Este post foi escrito na fri­tân­cia ao som de uma caixa harmô­nica bivo­cal de 70 Hz :lokodebala:

Recomendações musicais

Vote Cafe­tron do Bar. Atra­vés da gera­ção de empre­gos, edu­ca­ção, saúde e um blog nerd ten­den­ci­oso ao extremo, pre­tendo tirar você da mes­mice tola de ouvir em loop sem­pre as mes­mas músi­cas no seu Winamp, Media Player, foo­bar, Ama­roK ou xmms. Seja ousado e des­cu­bra músi­cas que ouvi­dos comuns jamais ouviram.

Con­fira algu­mas das minhas pro­pos­tas para fugir da rotina musi­cal e conhe­cer esti­los novos e gover­nar o impé­rio Klin­gon com um desen­vol­vi­mento sus­ten­tá­vel para nos­sas linha­gens futu­ras.

Vote Cafe­tron do Bar, número.

Phi­de­aux — Dooms­day After­noon
Gênero: Pro­gres­sivo crossover

Nunca subes­time a capa­ci­dade dos fran­ce­ses de mes­clar deze­nas de esti­los musi­cais de maneira per­fei­ta­mente harmô­nica. O ins­tru­men­tista Phi­de­aux Xavier, em con­junto com vários outros músi­cos, mos­tra como se faz um álbum onde se toma em mãos algu­mas téc­ni­cas sofis­ti­ca­das de estú­dio, ins­tru­men­tos clás­si­cos, um punhado de bons can­to­res e cola na tra­seira do bom e velho pro­gres­sivo psi­co­dé­lico. Segu­ra­mente o álbum mais fude­roso que já ouvi este ano.

Cor­vus Corax — Can­tus Bura­nus
Gênero: Músi­cas de fil­mes épicos

Vista sua arma­dura, embai­nhe sua espada, monte em seu cavalo, jogue o dado de 20 lados e veja para qual dire­ção do tabu­leiro de RPG você se aven­tu­rará. Mas antes, não se esqueça de colo­car uma boa tri­lha sonora de com­ba­tes épicos! O álbum “Can­tus Bura­nus” é o melhor do grupo musi­cal ale­mão, que con­tam com cla­ri­ne­tes, gai­tas de fole, har­pas e car­ru­a­gens. Todas as fai­xas são can­ta­das em latim por um coral uti­li­zando a temá­tica da ópera Car­mina Burana de Carl Orff. Ouça e des­perte o bata­lhão romano em você.

Ayreon — The Human Equa­tion
Gênero: Com­ple­ta­mente variado

Você sofre um aci­dente e está em coma. Mas ao invés de ver tudo preto como um Game­boy des­li­gado, você se depara com um grande telão que passa cenas mar­can­tes da sua vida. Mas você não está sozi­nho! Outras pes­soas assis­tem essas cenas com você, lhe incen­ti­vando ou aca­bando com a pouca moral que você ainda tem: são seus sen­ti­men­tos encar­na­dos em figu­ras huma­nas, ten­tando te tirar do coma (ou te dei­xar lá para sem­pre). Essa é a temá­tica do melhor álbum con­cei­tual que já ouvi até hoje: his­tó­ria ori­gi­nal, músi­cos exce­len­tes e qua­li­dade impecável.

Dia­blo Swing Orches­tra — The Butcher’s Ball­room
Gênero: Metal variado

Como meu avô já dizia, “nunca escreva duas vezes a mesma coisa em um blog”. Eu já fiz uma rese­nha deste álbum e pode ser lida cli­cando aqui. Para incentivá-lo, saiba que há can­to­res líri­cos, vio­lon­ce­los, vam­pi­ros, mojo e muito ver­me­lho na capa.