Olá, camaradas. Hoje o que vou dizer não é nada sobre astronomia, matemática, passarinhos ou astrólogos, então vou passar o recado de um jeito mais informal, mais pessoal. Imagine-me falando com você, sei lá, de pijama, OK? OK.
Das postagens escassas
Até personagem de tirinha tem emprego de verdade e uma vida normal a levar. Um dos fatos pelo qual comecei a desenhar foi esse. Meu número de horas livres diminuiu bestialmente e percebi que desenhar levava menos tempo que escrever paredes enormes de texto, cheias das minhas melhores sacadas, mas que nem 20% das pessoas que consultei tinham saco para ler até o final. Ou seja, desperdício de tempo e fósforo. Pelo menos descobri uma maneira de dar meu recado em até 400 pixels de altura.
Da ausência de braços e pernas nas tirinhas
Em minha defesa, alego que é estilo artístico.
Do novo sistema de comentários
Quando se inaugura um blog, tudo que a pessoa espera é um punhado de amor e gratidão em forma de comentários. É como um contador digital de afeto e indicador da qualidade do nosso trabalho. Mas acima de tudo, os comentários no Nebulosa Nerd’s Bar contribuem como parte dos meus textos. Vocês, leitores, se transformam em autores ativos — e essa é a magia da Internet 2.0.
Vou lhes contar um segredo: como qualquer dono de blog que põe amor no fruto do seu trabalho árduo e chato, eu fico com muita expectativa em relação aos comentários de cada post. Todo dia eu dou uma olhada no que aparece de novo por aqui, mesmo que, infelizmente, eu não tenha tempo para dar a atenção merecida a cada um.
No entanto, quando seu blog é declaradamente um multiverso de gostosuras para o público geek e 30% dos comentários diários são desabafos religiosos, é sinal de que estou errando em alguma coisa. Levando em consideração aquele papo sobre o blog ser feito por vocês também, e considerando que eu não quero que esse sítio venha a se tornar um portal da web onde místicos, religiosos fanáticos e conspiracionistas vêm reafirmar suas convicções pra mim, instalei um novo sistema de comentários para o melhor deleite de todos.
Funciona assim: dê uma nota positiva quando ler um comentário decente, uma negativa quando ler um comentário pérfido e reporte quando algo definitivamente não deveria estar lá. Você tem a opção de listar os comentários por ordem de pontuação, ficando livre de mimimis indesejáveis.
Das minhas expectativas para o Nebulosa
Quando comecei com o Frango Misterioso, apesar de estar na faculdade de Física, ainda me sobrava um tempinho razoável e as idéias fluiam, fosse estudando Quântica, fosse filosofando no banheiro, sentado de frente com a parede. Mas hoje em dia, diante de um bloco de notas nas curtas horas de folga, tenho que “fazer força” pra sair alguma coisa. É como se a fadiga do dia-a-dia e as brutalmente reduzidas horas de sono estivessem minando minha criatividade — o que é um pouco dramático, pois eu adoro meu emprego e minha vida social, mas também gosto de, de vez em quando, escrever e fazer tirinhas. Parafraseando Bilbo Baggins, aquele jogador de basquete, me sinto como um pouco de manteiga sendo espalhado num pedaço grande demais de pão. Com toda sinceridade, amigos, mais de uma vez já me peguei pensando em fechar esse site ou repassá-lo a algum jawa muambeiro de Tatooine.

Também já pensei em pedir ajuda para outros blogueiros. Dividir o fardo, saca? Um escreve na segunda, outro na terça… mas não conheço nem a metade que eu gostaria da metade deles, e gosto menos da metade do que a metade merece. Em relação a pessoas mais chegadas fora da Internet, conheço uma ou duas pessoas altamente capazes e criativas, mas nenhuma seria doida o suficiente para tomar essa responsabilidade. De qualquer forma, o maior problema de um blog com vários donos é a perda identidade; viraria uma miscelânea sem graça, igual quando você mistura chá de hortelã, erva-cidreira, camomila, casca de abacaxi, açúcar mascavo e limalhas de zinco.
Mas aí eu lembro de uma coisa: caramba, eu estou escrevendo e desenhando pra mim, então dane-se o resto! É um hobby, não uma obrigação; um exercício pessoal de criatividade, não uma coluna obrigatória do jornal (se algum redator ou chefe de edição estiver lendo isso, saiba que não tenho nada contra trabalhar em jornais — até gosto deles, nunca dizem mentiras nem são tendenciosos! — e adoraria fazer tirinhas semanalmente por um salário módico, sim?).
Também me lembro do quanto eu penei para cultivar essa belezoca do jeito que está, quantas horas gastei em frente a linhas coloridas de PHP e CSS, quantos blogueiros famosos já importunei para “trocar links” (não façam isso, é realmente condenável e te faz parecer mais ainda um amador) e, assim, tentar ser notado em meio ao ruído. Claramente isso vale menos do que se imagina, a começar pelo fato de não ter sido mencionado em nenhum currículo meu.
Isso tudo pode ser como aquele castelinho de areia que você constrói na praia e não vale coisa nenhuma, mas você fica todo orgulhoso de dizer “eu que fiz, ó”. É estranho pensar que um dia você vai estar a sete palmos do chão e nunca fez nada que te diferenciasse dos outros humanos. Uns, então, acabam escrevendo biografias enfadonhas e livros de auto-ajuda. Eu decidi fazer um blog. E, caramba, também não é de se jogar fora, já que saí até na antepenúltima página da Super Interessante!
Então, não se preocupem, pois esse legado não vai sumir tão cedo, apesar das adversidades. Deve ser frescura de todo blogueiro depois de um tempo. Vi no Twitter que até o Karlisson já um dia pensou em parar de desenhar as tirinhas do Nerdson.
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