Utilitários para DOS: automatize sua vida
Vamos aos fatos — seu computador é uma tuleba de silício que custou em torno de R$ 2000,00 e se mostra capaz de realizar milhões e milhões de operações por segundo. Quantas dessas operações estão trabalhando para facilitar sua vida neste momento? Com certeza não muitas. Por quantas horas do dia sua CPU está trabalhando em 100% da capacidade? Diria que não mais de alguns minutos.
Eis aonde eu quero chegar: pagamos bem caro por uma máquina que, além de permanecer ociosa boa parte do dia, não está sendo utilizada em nosso favor com toda sua capacidade. Ela é capaz de renderizar cenários realistas do Crysis e proteções de telas com bebês dançando, mas normalmente não nos damos conta de que um computador pode ser muito além de um video-game — muitas tarefas diárias ou procedimentos rotineiros podem ser automatizados por um computador.
Baseando-se na experiência que tive nas últimas semanas para minimizar quase totalmente minhas funções repetitivas no trabalho, vou lhe mostrar o que você pode fazer para colocar essa máquina para trabalhar em seu favor. De que forma? Assim como aldeões do século XIV faziam: muitas linhas de comando, uma pitada de autoexec.bat e muitos utilitários para MS-DOS. Como já dizia Genghis Khan:
“Nunca subestime o prompt do DOS. Com uma linha de comando, posso dominar a China; com uma linha de comando, posso listar todos os arquivos de um disco rígido. Mas para transpor A Grande Muralha (firewall), um arquivo .bat ainda é necessário.”
– Genghis Khan
O cenário
Eis aqui meu exemplo: imagine que todo dia de manhã, no seu trabalho, você deve ir até o computador 1 para salvar um espectro que está na tela. Consulta em qual diretório aquele tipo de espectro deve ser salvo. Digita código da amostra e volume. Salva no disco rígido. Pega um disquete (sim, disquete, manos), digita código da amostra e volume. Salva no disquete. Pega o disquete, leva até o computador 2. Abre o gerenciador de arquivos. Copia o arquivo do disquete para o disco rígido. Abre um programa que gera parâmetros para um background imaginário. Digita nome do parâmetro e volume da amostra. Abre o conversor. Digita caminho completo do arquivo de background e nome do parâmetro. Abre o programa de análise, digita o caminho completo do arquivo de background convertido. Abre o gerenciador de tabelas. Cria uma tabela baseado na análise anterior. Abre o programa que gera parâmetros para sua amostra. Digita nome do parâmetro e volume da amostra. Abre o conversor. Digita caminho completo do arquivo da amostra e nome do parâmetro. Abre o programa de análise, digita o caminho completo do arquivo da amostra. Imprime 4 páginas de informações, onde apenas 30 linhas são relevantes.
Como ficou depois da minha automatização
No computador 1, digito o código e volume da amostra. No computador 2, abro meu programinha em .bat e digito código e volume e voilá! Basta você ficar embaixo da impressora esperando ela cuspir uma página com apenas as 30 linhas que realmente me são necessárias.

Meu cefalópode digital exigindo uma mínima interação com o usuário.

O algoritmo mostrando-se foolproofe com senso de humor científico.
Além de uma placa ISA de rede e um cabo coaxial, tudo que fiz foi escrever algumas linhas de rotina para automatizar minhas funções manuais (digitar códigos, apertar enter, page down etc.) e mentais (comparar arquivos para ver se estou imprimindo o espectro certo, por exemplo). Abaixo está uma lista dos programas utilizados para esta façanha da informática.
Utilitários para DOS
AWK320.ZIP — criado originalmente para UNIX, o AWK é uma implementação angelical para DOS de um dos programas mais úteis na manipulação de arquivos texto. Ele lê linha por linha do arquivo desejado enquanto interpreta os comandos que você especifica, como ler linha sim, linha não, mostrar na tela apenas a segunda palavra de cada linha ou substituir todas as primeiras palavras de uma sentença por “Bolas”.
LINEX.COM — retorna na tela ou em arquivo somente as linhas especificadas por você de outro arquivo texto. Terrivelmente excelente e recomendado
KEY-FAKE.COM — Este programa é o mascote do time e responsável por 70% do processo de automatização implementado lá no trabalho. Ele foi desenvolvido por algum entusiasta das linguagens de programação e veio em um disquete da PC Magazine, numa edição de 1987. O que ele faz? Simplesmente simula alguém digitando no seu teclado. Por exemplo:
key-fake "Tenho bolas de aço..." 13 13 "... na verdade, gostaria de ter"
edit
As linhas acima abrirão o edit.exe do DOS — um editor de texto simples –, digitará “Tenho bolas de aço…”, teclará Enter 2x e completará “… na verdade, gostaria de ter”. Este programa pode simular qualquer tecla, inclusive combinações complexas como ALT + SHIFT + CTRL + F10, desde que a combinação exista em forma de código na tabela ASC Extended. Ele só tem um probleminha: só funciona em modo protegido do DOS (via DosBox ou instalação original do MS-DOS / FreeDOS).
SEND.EXE — Igual ao key-fake, mas um passo bem além: com ele, você pode enviar teclas para programas do Windows (qualquer versão). Igualmente magnífico. Exemplo:
start notepad
send Bloco "Mas você pode!\n\sbasta acreditar!\S"
O comando acima — executado no prompt do DOS ou em arquivo .bat, mesmo que você esteja dentro do Windows — abrirá o Bloco de Notas e enviará à sua janela as seguintes teclas: “Mas você pode!”. Em seguida, pressionará Enter, manterá pressionado o Shift e digitará “BASTA ACREDITAR!”, soltando o Shift em seguida.
BATKIT57.ZIP — um pacote de utilitários para arquivos .bat.
GETKEY.EXE — Faz-tudo
SAVEDIR.COM — Salva em uma variável o atual diretório
WAIT.COM — Aguarda o tempo necessário
GETSCREN.COM — Tira um screenshot da tela (em modo texto) e salva num arquivo
O que mais me chamou a atenção foram o wait.com (espera uma determinada quantidade de tempo ou até um horário específico) e o getkey.exe.O GetKey é um canivete suíço para arquivos .bat. Ele pode mostrar textos coloridos, criar menus ou aguardar por input do usuário para armazenamento nas variáveis de ambiente.
CUTPAK12.ZIP — outro pacotão de utilitários para DOS, este ainda mais útil que os últimos. Eis os arquivos que mais me foram práticos:
ISRUN.COM — verifica se existe o programa especificado carregado na memória e devolve seu endereço (PSP) e segmentos de dados correspondentes
XCHANGE — varre um arquivo em busca de uma expressão e substitui por por outra, pode trabalhar com arquivos binários
YANK.EXE — equanto o XCHANGE substitui expressões, YANK remove ou substitui a linha inteira que contiver a expressão especificada
SEEK.EXE — alternativa bem conhecido comando FIND do Unix e algumas versões do DOS, varre a tela ou arquivo por alguma expressão e retorna um ERRORLEVEL específico
SCANSTR.COM — procura uma expressão dentro de outra expressão e retorna um ERRORLEVEL. Pode buscar qualquer código da tabela ASCII, inclusive TABs e ENTERs
SPLITFIL.EXE — busca por uma expressão em um arquivo e o quebra em duas partes
OCOPY — o verdadeiro sobrescritor de arquivos: não simplesmente apaga o alvo e cria um arquivo novo no lugar, ele se certifica de que o novo arquivo ocupará os mesmos setores do HD
FILEAGE.COM — mostra a idade de um arquivo no formato desejado
INVORALL.EXE — busca múltipla de arquivos em um diretório / drive com opção de recursividade
BIN2ASC.EXE e ASC2BIN.EXE — transforma arquivos binários para ASCII e vice-versa
INTADD.COM — soma inteiros a um número, seja ele decimal ou hexadecimal
INPUT.COM — permite a entrada de dados pelo usuário dentro de um arquivo .bat com a possibilidade de salvar em arquivo a resposta, tornando-se muito útil por não enviar automaticamente o sinal de próxima linha
INIMOD.EXE — altera configurações de arquivos .INI
INIREAD.EXE — lê arquivos .INI
DOSNX23B.ZIP — pacote de programas do Unix portados especialmente para DOS. O pacote inclui:
CHMOD — muda atributos de qualquer arquivo
CLR — customiza as cores e modo de tela do prompt e funciona bem com ANSI.SYS ou sem
CP — versão Unix do comando copy para DOS, apresenta uma gama maior de possibilidades e argumentos
DB — “delete but”, apaga todos os arquivos de um diretório menos aquele em especial
EDC — muda de diretório sem precisar que você digite todo o nome do mesmo
FFIND — localizador de arquivos
LS — o venerável listador de arquivos do Unix, fornece opções diversas e customizadas.
MV — move arquivos de um diretório para outro, ou para outro arquivo
MVDIR — mesma coisa que o MV, mas com diretórios
RM — melhor que o comando DEL do DOS, ele remove inclusive estruturas completas de diretório (como o DELTREE)
VF — visualizador prático de arquivos texto
CAT — copia arquivo texto para a tela
HEAD — mostra as primeiras linhas de um arquivo
SGREP — procura em um arquivo ou saída por uma expressão e retorna aquela linha
TOUCH — modifica a data e hora de um arquivo
WC — conta linhas, palavras e caracteres em um arquivo
O limite é sua imaginação! Está esperando o quê? Vá brincar de nerd e programe seu liqüidificador para te preparar uma vitamina de abacate em 10 minutos, enquanto o notebook escreve seu relatório da semana.
Se você é um daqueles que ainda mantém disquetes ou CDs sharewares com antigos joguinhos para DOS mas não pode rodá-los porque o Windows mau não deixa, apresento-lhe duas soluções igualmente fantásticas:
DosBox — Um emulador quase completo de DOS para Windows. É possível rodar virtualmente todos os jogos mais antigos (alguém aí lembra de Dune 2?). O DosBox é capaz, inclusive, de simular drives para SoundBlaster e Gravis Ultrasound, com direito a MIDI e tudo mais. Também oferece suporte a mouse.
FreeDOS Project — programadores trabalhando com paixão se reuniram para trazer a todos uma pérola da criatividade: o FreeDOS, uma versão opensource do antigo Microsoft DOS — a arquitetura de antigamente, a sagacidade de hoje em dia e a cremosidade indescritível de criar choques temporais como rodar Windows 3.11 com um processador de 64 bits ou acessar a Internet com navegadores em modo texto. O sistema é completo e excelente, caso você queira reviver aquele antigo 486 servindo de calço de mesa.
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“Nunca subestime o prompt do DOS. Com uma linha de comando, posso dominar a China; com uma linha de comando, posso listar todos os arquivos de um disco rígido. Mas para transpor A Grande Muralha (firewall), um arquivo .bat ainda é necessário.”






Se ainda hoje o Dos fosse um artigo para se dediccar aos tecladismo compulsivo de prompts, o Windows XP não levaria esse nome…
Acaba de fazer meu dia mais feliz!! Com um PC novo, e sem DOS, não sabia o que eu ia fazer da minha vida, até agora! Obrigada Coffee!
oh my gosh, que coisa liiinda!!!
eu nao entendi pelo menos a metade de como isso foi feito, mas o resultado, minha nossa!
o que seria de nohs (lare, vc e eu) se as coisas nao tivessem sido como foram??
=P
saudades do meu 486.…
mas agora eu me divirto com o Linux mesmo. novos tempos, novos desafios! =P
vida o DÓS :D
sinceramente? vc agora é meu herói!
Uma vez eu criei um arquivo .bat que criava números aleatórios na tela… o coordenador da aula de informática pensou que fosse vírus e quase teve um ataque. Isso antes de esmurrar o gabinete e o monitor (monitor?) do pobre computador.… cruel.…
O dos… é legalzinho
mas o bash destrói xD
Eu usava o Micromacrobat para muitas dessas funções. Tinha o sleep, wait, box (desenha uma caixa), paint (pinta a tela), fade, etc.
@echo off
color 2
:start
echo %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random% %random%
goto start
Sou uma autoridade no assunto!
Tenho ainda meu diploma do “Curso de Computadores !@%$%!#$%” (censor shit), de formação em ms-dos de 1993.
Hehehehehe…
O dos… é legalzinho
mas o bash destrói xD [2]
Lembro até do livro “Ferramentas Técnicas” do Morrimoto que diz:
“A princípio, o shell script lembra um pouco os arquivos .bat do DOS, que também eram arquivos de texto com comandos dentro; da mesma forma que um ser humano e uma ameba conservam muitas coisas em comum, como o fato de possuírem DNA, se reproduzirem e sintetizarem proteínas. Mas, assim como um humano é muito mais inteligente e evoluído que uma ameba, um shell script pode ser incomparavelmente mais poderoso e elaborado que um simples .bat do DOS.”
Olá Cafetron, estou aqui, como um dos leitores que acompanha o Nebulosa Nerd’s Bar para fazer uma reclamação:
Ontem, 25 de maio, foi o dia do Orgulho Nerd/Geek. Seria ótimo ter uma artigo pra lá de especial em comemoração a um data tão importante como essa, né não?
Aqui está um link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Orgulho_Nerd
Não é nada interessante deixar um dia desses passar em branco.
Olá Cafetron, estou aqui, como um dos leitores que acompanha o Nebulosa Nerd’s Bar para fazer uma reclamação: [2]
O que aconteceu com o podcast dos ortonormais? Acabou?
Alguém aqui sabe se battlestar galactica é bom?
se é…
Bom Demais!!
É como uma novela futurista…
As batalhas e os efeitos especiais são ótimos, mas tem capítulos que nem têm nada disso!
Fica só mostrando o drama da tripulação e da “política” deles…
(convívio pessoal, política interna, treinamento dos pilotos, busca por alimentos e recursos, os bastidores das guerras e batalhas)
Muito bom mesmo!! Muito bem feito!!
Eu quero aumentar minha net principalmente pra baixar esse seriado.
__________
só eu estou com saudades dos “Comentários recentes”??
@Lima
ops… esqueci de referenciar o Lima no comentário acima…
acabei de chegar.. daí tô com pressa e não costumo comentar em blogs…
sorry…