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Carne

Escrito por Terry Bis­son, 1991. Tra­du­zido por seu amigo, Cafe­tron v1.0, Março de 2006.

ELES SÃO FEITOS DE CARNE

- Eles são fei­tos de carne.
– Carne?
– Carne. Eles são fei­tos de carne.
– Carne?
– Não há dúvi­das quanto a isso. Reco­lhe­mos vários deles, de dife­ren­tes par­tes do pla­neta, os trou­xe­mos a bordo e son­da­mos seus cor­pos de todas as manei­ras. São total­mente fei­tos de carne.
– Isso é impos­sí­vel. E os sinais de rádio? As men­sa­gens que cap­ta­mos?
– Eles usam ondas de rádio para se comu­ni­car, mas os sinais não vêm deles pró­prios. Os sinais vêm de máqui­nas.
– Então quem fez essas máqui­nas? São elas que que­re­mos con­tac­tar.
Eles fize­ram as máqui­nas. É o que estou ten­tando lhe dizer. Carne fez máqui­nas.
– Isso é ridí­culo. Como carne pode cons­truir uma máquina? Você está me pedindo para acre­di­tar em uma suposta carne inte­li­gente.
– Não estou pedindo, estou lhe dizendo. Essas cri­a­tu­ras são a única raça inte­li­gente nesse setor e eles são fei­tos de carne.
– Tal­vez eles sejam como os orfo­lei. Sabe, uma inte­li­gên­cia à base de cadeias de car­bono que pas­sam por um está­gio de carne.
– Não. Eles nas­cem carne e mor­rem carne. Os estu­da­mos por diver­sos anos de vida, a qual não é muito longa. Você tem alguma idéia de quanto é a expec­ta­tiva de vida de uma carne?
– Tudo bem, tal­vez eles sejam par­ci­al­mente de carne. Você sabe, como os wed­di­lei. Uma cabeça de carne com um cére­bro de ele­tro­plasma por den­tro.
– Não. Pen­sa­mos nisso tam­bém, uma vez que eles têm cabe­ças de carne, como os wed­di­lei. Mas estou lhe dizendo. Son­da­mos seus cor­pos. São fei­tos de carne, dos pés à cabeça.
– Não têm cére­bro?
– Oh, sim. Eles têm um cére­bro. Acon­tece que este é feito de carne tam­bém! É o que eu estava ten­tando lhe dizer.
– Então… o que pro­duz os pen­sa­men­tos?
– Você não está enten­dendo, está? Você se nega a acre­di­tar. O cére­bro pro­duz os pen­sa­men­tos. A carne.“
– Carne pen­sante! Você está me pedindo para acre­di­tar em car­nes pen­san­tes!
– Sim, car­nes pen­san­tes! Carne cons­ci­ente! Carne que ama. Carne que sonha. Come­çou a cair a ficha, ou terei que dizer tudo outra vez?
– Oh, meu Deus. Você está falando sério. Eles são fei­tos de carne.
– Obri­gado. Final­mente! Sim, eles são fei­tos de carne. E eles estão ten­tando entrar em con­tato conosco por quase cem dos anos deles.
– Oh, Deus. Então, o que essas car­nes têm em mente?
– Pri­mei­ra­mente, que­rem falar conosco. Então ima­gino que dese­jam explo­rar o Uni­verso, con­tac­tar outras for­mas inte­li­gen­tes, tro­car idéias e infor­ma­ções. O de sem­pre.
– Quer dizer que, supos­ta­mente, deve­mos con­ver­sar com car­nes.
– Essa é a idéia. Essa é a men­sa­gem que nos man­da­ram via rádio. “Olá. Alguém aí? Alguém em casa?”. Esse tipo de coisa.
– Eles real­mente falam, então. Eles usam pala­vras, idéias, con­cei­tos?
– Oh, sim. Exceto que eles o fazem atra­vés de carne.
– Pen­sei que você havia me dito que eles usa­vam ondas de rádio.
– E usam, mas o que você acha que está nos rádios? Sons de carne. Sabe quando você cha­co­a­lha ou bate uma carne, e ela faz um som? Eles con­ver­sam vibrando. Eles podem até can­tar, com um sopro de ar por suas car­nes.
– Céus! Carne can­tante! Isso já é demais. Então o que você acon­se­lha?
– Ofi­ci­al­mente ou não-oficialmente?
– Ambos.
– Ofi­ci­al­mente, deve­mos contactá-los, dar boas vin­das e cata­lo­gar toda e qual­quer raça inte­li­gente nesse qua­drante do Uni­verso, sem prejudicá-los, assustá-los ou ajudá-los. Não-oficialmente, acon­se­lho que apa­gue­mos todos os dados ano­ta­dos e dei­xe­mos toda essa coisa de lado.
– Espe­rava que dis­sesse isso.
– Parece rígido, mas há um limite. Nós real­mente que­re­mos esta­be­le­cer con­tato com car­nes?
– Con­cordo ple­na­mente. O que have­ria para ser dito? “Olá, carne. Beleza aí?”. Mas isso vai fun­ci­o­nar? De quan­tos pla­ne­tas esta­mos falando?
– Ape­nas um. Eles podem via­jar para outros pla­ne­tas em cai­xas espe­ci­ais para car­nes, mas não podem viver neles. E por serem carne, só podem via­jar no espaço C, o que os limita à velo­ci­dade da luz e torna quase impos­sí­vel a chance deles, de algum dia, nos con­tac­ta­rem. Infi­ni­te­si­mal, eu diria.
– Então fin­gi­re­mos que não há nin­guém em casa, no Uni­verso.
– Exa­ta­mente.
– Cruel. Mas você mesmo disse, quem quer conhe­cer carne? E aque­les que trou­xe­mos a bordo em nos­sas naves, aque­les que você exa­mi­nou? Tem cer­teza que não se lem­bra­rão de nada?
– Serão con­si­de­ra­dos malu­cos se o fize­rem. Entra­mos em suas cabe­ças e reor­ga­ni­za­mos suas car­nes para que se lem­brem de nós como um mero sonho.
– Somos o sonho das car­nes! Que apro­pri­ado.
– E mar­ca­re­mos todo o setor como ino­cu­pado.
– Ótimo. Con­cordo, ofi­ci­al­mente e não-oficialmente. Caso encer­rado. Algum outro? Algo inte­res­sante nesse lado da galá­xia?
– Sim. Um tímido, porém amis­toso núcleo inte­li­gente de hidro­gê­nio em uma estrela de classe nove na zona G445. Ten­tou con­tato há dois ciclos galá­ti­cos, e quer ser ami­gá­vel outra vez.
– Eles sem­pre que­rem.
– Por que não? Ima­gine quão incon­sis­tente, quão frio o Uni­verso seria se esti­ves­se­mos sozinhos.

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  1. April 9th, 2009 at 02:31 | #1

    Chrome 1.0.154.53 Windows XP

    Oi Sol, lem­bra de mim? To com Sol­da­des lol
    Escrevi esse texto aqui no fórum da players, de uma lida tem rela­ção com esse texto que vc tra­du­ziu. ABraços

    http://www.players.com.br/forum/index.php?showtopic=108017

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