A polícia suspeitava de assalto. Em seguida, soltaram uma outra versão: um dos cartunistas mais prolíficos do Brasil estava com o filho em seu apartamento quando foi rendido por um adepto suicida da Igreja do Santo Daime que pensava ser Jesus Cristo. Ao fazê-lo mudar de ideia, pai e filho tomaram um tiro cada um. E deu certo! — o suicida mudou de ideia e fugiu. Conclusão: chá de cipó alucinógeno e armas de fogo são uma péssima idéia.

Soa como enredo para uma tirinha ácida do Glauco, mas a realidade nos acertou crua e fria como um bife na cara, deixando uma horda de fãs entristecidos nesta semana. Apesar da minha revolta, creio que não seria justo da minha parte afirmar que a religião fez mais uma vítima. O assassino poderia estar sob delírio induzido por uma substância considerada sagrada, mas aposto que estava bem lúcido quando negociou uma arma; poderia pensar ser o Flashman, ao invés de achar que era a reincarnação de Jesus Cristo. O próprio Glauco era daimista e tal fato, segundo ele, fazia dele uma pessoa melhor e feliz.

Glauco,
Nós, fãs, estamos aqui rindo… de saudades.