Diário de bordo, data gregoriana: sexta-feira à noite em casa.

Àqueles que não desistiram do velho Coffe aqui, que não tiraram os olhos do horizonte e não deleteram de seus readers este humilde feed que vos recheia quase-semanalmente: obrigado, vocês merecem uma estrelinha do Mario. Aos outros — que não depositaram um pingo de fé na sobrevivência do blog — espero que tenham crise de soluços durante um pon farr.

“Férias” uma ova de páscoa; meu expediente se rastejou até dia 23 de dezembro e, a partir do imediato fim da semana de recesso corporativo, tenho rastejado pelo laboratório desde o desabrochar de janeiro. Eis o motivo de minha ausência prolongada. Ainda não me recuperei por completo, nos horários de almoço e janta estou tentando me reabilitar na procrastinação criativa.

Mas não importa! O site está de volta com aquele mojo de sempre. Neste meio-tempo recebi muitas palavras de apoio e carinho, agonia e desespero; e também um punhado de perguntas intrigantes pelo formulário de Aconselhamento Online, tais como “gosto do Flavinho, como fas/?”, “keria saber como faser dorgas em casa” e — a mais díficil até agora — “bauru sem tomate é misto?”. Ao autor desta pergunta, faço de sua interrogação a minha, pois também não sei.

Não menosprezando todas essas dúvidas, mas tantas somadas não batem a incógnita-mór: o que há de errado com os vendedores de colchões?! Parti hoje à procura de um colchão novo e assisti a um desfile de lorotas alegóricas ensinadas por, provavelmente, os próprios fabricantes. Fala-se entre o conclave científico de Hollywood que os filmes de ficção deveriam se ater a, no máximo, uma gafe científica por filme. Sugiro a importação dessa idéia para as lojas de cama, mesa & banho:

“Colchões que neutralizam sua eletricidade”?
Só se o terceiro pino da tomada da cama estiver aterrado.

“Íons de prata para evitar a transpiração”?
Para evitar fungos, talvez, mas nem mesmo o Surfista Prateado deve ser livre dos desodorantes prateados.

E, por fim, um colchão feito com o mesmo material da roupa selada de um astronauta possivelmente o mataria, já que a espuma de poliuretano visco-elástico — ou “material gostosinho dos infernos” realmente inventado pela NASA para acolchoados em aeronaves — exige tantos retardantes-de-chama na composição que o contato prolongado pode causar problemas respiratórios a longo prazo.