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Regozije-se diante da glória de um sistema aberto pronto para abraçar uma língua aberta! O caminho é um pouco tortuoso para os neófitos, mas explicarei passo-a-passo o que deve ser feito. Vai ver, valerá a pena!

Características do sistema no qual me baseei para escrever este tutorial:

  • Interface Gnome (Ubuntu Hardy Heron 8.04) — KDE usa método diferente, abordarei em futuro tutorial;
  • Layout do teclado configurado para Brasileiro ABNT2 (não funciona para outro… bem, até funciona, mas você precisaria alterar os arquivos de maneira diferente);
  • Pacotes de língua “Português Brasileiro” instalados (Sistema > Administração > Suporte a Idiomas);
  • Pacotes de língua “Esperanto” instalados (Sistema > Administração > Suporte a Idiomas);
  • Importante: para evitar complicações, o idioma do sistema deve estar primeiramente configurado para Português Brasileiro.

Passo 1) Caracteres complexos

Primeiramente devemos habilitar um suporte pré-definido de caracteres bizarros dentro de programas GTK do Gnome. Por que carregar tantos caracteres engraçados? Na dúvida de como trazer os caracteres desejados do Esperanto, carreguemos então tudo que for possível. Execute o comando no terminal (consola):

sudo gedit /etc/environment

Adicione esta linha:

GTK_IM_MODULE="xim"

A partir de agora, você será capaz até de acentuar a letra m dentro do Ubuntu (mas ainda não conseguirá um ŭ, o que é assaz deprimente).

Passo 2) Ŭ

Esta será a única diferença da maneira que se escreve no EoKlavaro do Windows. Para conseguir o U com diacritico, precisaremos pressionar Alt da Esquerda + U. Nada muito trabalhoso, uma hora você acaba acostumando — é como cachorro dentro de apartamento. Contudo, para que possamos pressioná-lo (o ŭ, não o cachorro), abra o terminal (consola) e digite

sudo gedit /etc/X11/xkb/symbols/br

Procure pelas linhas

key <AD04> { [ r, R, registered, registered ] };
key <AD11> { [dead_acute, dead_grave, acute, grave ] };

Agora inclua entre essas duas o código necessário para que o AltGr + U retorne um ŭ. Este trecho do arquivo deverá ficar assim:

key <AD04> { [ r, R, registered, registered ] };
key <AD07> { [ u, U, ubreve, Ubreve ] };
key <AD11> { [dead_acute, dead_grave, acute, grave ] };

Passo 3) Compilando o locale eo.UTF-8

Talvez você já tenha tentado alterar o idioma da sessão na tela de login e percebido que o Esperanto não consta na lista, apesar do pacote de tradução estar devidamente instalado. O Ubuntu tem esse bug que está evidenciado desde as primeiras versões, mas até agora nada foi feito por falta de reclamações. Neste quesito, o Kubuntu se encontra bem mais desenvolvido.

A compilação do locale não é nada complicada. Execute o seguinte comando:

sudo localedef -f UTF-8 -i eo eo.UTF-8

Agora, este aqui:

sudo gedit /var/lib/locales/supported.d/eo

Se o arquivo estiver em branco (ou não), não importa. Seu conteúdo deve estar assim:

eo.UTF-8 UTF-8

Salve-o, feche-o e agora execute o comando:

locale-gen eo

Passo 4) Separando o idioma da interface gráfica com as configurações do país

Faça o favor de executar o seguinte comando:

sudo gedit /etc/X11/Xsession.d/00_lc_all

O arquivo estará em branco. Cole as seguintes linhas:

unset LC_ALL
export LC_CTYPE=pt_BR.UTF-8
export LC_NUMERIC=pt_BR.UTF-8
export LC_TIME=eo.UTF-8
export LC_COLLATE=pt_BR.UTF-8
export LC_MONETARY=pt_BR.UTF-8
export LC_MESSAGES=eo.UTF-8
export LC_PAPER=pt_BR.UTF-8
export LC_NAME=pt_BR.UTF-8
export LC_ADDRESS=pt_BR.UTF-8
export LC_TELEPHONE=pt_BR.UTF-8
export LC_MEASUREMENT=pt_BR.UTF-8
export LC_IDENTIFICATION=pt_BR.UTF-8

Reinicie o computador e voilá! Seu Ubuntu em Esperanto e com os caracteres funcionando plenamente!

IMPORTANTE: Anote ou tatue em seu próprio braço o endereço deste tutorial. Caso você deseje alterar o idioma do sistema novamente, você terá que apagar o arquivo /etc/X11/Xsession.d/00_lc_all
Duvido que você lembrará o nome de cabeça daqui a alguns anos.

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