Atualizado em 04/07/2008
Tudo que você gostaria de perguntar, mas nunca soube para quem.

O que é Esperanto?

O Esperanto é a mais falada das línguas inventadas e planificadas. A segunda mais fácil é a “língua do P”, mas esta não teve tanto sucesso longe dos círculos sociais da pré-escola. Luís Lázaro Zamenhof, médico polonês, completou a versão oficial do Esperanto em 1887. Sua intenção era criar uma língua de fácil aprendizagem, que servisse como segunda língua para toda a população mundial, e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes. Seus radicais vêm do latim, grego e línguas eslavas, e a construção de palavras e frases é semelhante ao grupo de línguas orientais.

E Esperando?

Gerúndio do verbo “esperar”.

Pffff… isso não é meio inútil? Já temos o inglês, que é super fácil!

Todas as línguas têm as vantagens e desvantagens. Seria mesquinharia desprezar a bela língua de Shakespeare, Mark Twain e Capitão América. No entanto, ela está longe de ser a mais fácil de aprender.

Vantagens do inglês:

  • A gramática inglesa é mais simples que a das línguas latinas. Só há um artigo definido (the), o que simplifica seu uso, ao contrário do português, por exemplo, onde um estrangeiro se atrapalha com os artigos (o telefonema ou a telefonema? / o tribo ou a tribo?)
  • Os verbos não se flexionam (a não ser na terceira pessoa do presente), evitando erros como “agora é eu, nós acha, fazem anos, etc”.

Desvantagens do inglês:

  • O que dificulta são os verbos irregulares (lembrem-se daquelas famosas quatro colunas no final de todo livro de inglês: present – past participle – infinitive – translation).
  • O inglês possui uma ortografia mais complicada do que parece (tanto que existem até competições escolares para soletrar palavras).
  • Uma letra pode ter vários sons.
  • O plural nem sempre é regular (piano – pianos, tomato – tomatoes, datum – data, campus – campi). Sem dizer que os orientais tem sérios problemas com os fonemas da língua inglesa.
  • Existem diversas palavras que são escritas de forma diferente, mas possuem pronúncia semelhante. Ex.: “right”, “wright”, “rite”, “write” / “cite”, “sight”, “site” / “serial”, “cereal”
  • Dificilmente haverá pessoas dispostas a lhe ensinar inglês de graça.

Abaixo mostro alguns exemplos de como o inglês é definitivamente difícil para certos povos. Estas são fotos tiradas de alguns dos diversos avisos em países orientais destinados a turistas estrangeiros. Saca só o tal “domínio mundial” do inglês.

Sentido original: (não faço a mínima idéia)
Tradução: Em caso de os macacos estão na floresta, você não conseguirá achá-los.

Sentido original: (também não sei, mas suponho que seja para você controlar os intestinos do seu cachorrinho)
Tradução: Não derrubadas! De quem é este animal? Você ensinar maneiras ao seu cão. Então somos amantes de cães uns aos outros. Obrigado.

Sentido original: (?)
Tradução: O notebook tendo linha regrada horizontal e podendo empacotar é o melhor para arranjar sentenças.

[mais imagens em Oddee]

E daí? Eu aprendi inglês rapidão.

Ah é, sabichão? Você está imerso na cultura inglesa, uma vez que ela é dominante no mundo e, conseqüentemente, no Brasil. Você esteve em contato com a língua desde… vejamos… SEMPRE!

Na grande maioria das escolas por aqui, a língua estrangeira ensinada é o inglês. Os video-games são em inglês, filmes em inglês e nomes de lava-carros, produtos de limpeza, locadoras e até restaurantes têm nomes americanizados. Você nasceu, o médico deu um tabefe na sua bunda e com certeza fez *SLAP!* (onomatopéia inglesa, hã).

Mesmo que sejamos o quintal de grama alta da cultura anglossaxônica, muita gente não gosta ou não tem facilidade em aprender inglês. No entanto, se a pessoa não quiser ficar de fora, terá então que pagar alguns anos de escola de inglês e ainda assim corre chances de não aprender o tanto quanto gostaria. Para compensar o que não aprendeu no curso, essa mesma pessoa tem que passar alguns meses ou anos em um país de língua inglesa pra aprender decentemente e, quando voltar, esquecerá 70% do que foi aprendido. Olha só! Tempo e dinheiro empregado que você poderia ter usado para comprar:

  • Um carro;
  • Ou 44 mil picolés de rua;
  • Ou um pote e meio de catupiry maltês — uma iguaria em países de segundo mundo.

Não seria fantástisco se a segunda língua de todos os países fosse um idioma neutro, de fácil aprendizado e que colocasse todos os cidadãos, independente da língua pátria, em pé de igualdade?

Além do mais, aposto que você nunca ouviu um oriental falando inglês. Acredite, é assombroso, já que muitos dos fonemas não são comuns naquele lado do globo.

Quanto tempo leva para aprender Esperanto?

Para ler textos cultos um ano já é mais do que o suficiente. Em menos de 1 mês eu já conseguia acompanhar jornais sem grandes problemas. Léo Tolstoy (pensador russo) afirma ter aprendido esperanto em 3 horas, apenas com alguns textos e um livrinho de gramática de bolso. Por outro lado, conheci um mecânico húngaro de Budapeste que jurou haver dominado a língua em 15 minutos. Por questões históricas e éticas, Tolstoy tem ligeiramente mais credibilidade.

Por que aprender Esperanto?

Os motivos beiram o infinito! E como diz um provérbio checo,

“Kolik řečí znáš, tolikrát jsi člověkem”. Você vive uma nova vida para cada nova língua aprendida.

Do mesmo jeito que alguém da área de exatas deve aprender inglês e alemão, alguém da área das humanas deve aprender francês e latim, alguém que joga xadrez deve aprender russo ou alguém que faz barulhos estranhos com as axilas deve aprender klingon. Aprender uma língua nunca é demais e o esperanto serve para diversas causas.

a) Viagens
Esta língua é ótima para viajar para outros países. Existem mais esperantistas pelo mundo do que você imagina, e mais próximos também. Há vários relatos concretos de que, em várias cidades do interior da Europa, por exemplo, pessoas falam Esperanto como segunda língua, mas não o inglês.
Existe também um serviço gerenciado por esperantistas chamado Pasporta Servo, que disponibiliza um catálogo anual com endereço e telefone de diversos esperantistas pelo mundo, caso você precise de um lugar para dormir e encher o bucho. Esse pessoal te receberá, você ficará hospedado de graça numa casa de família, e todos ficarão felizes como golfinhos acrobatas.

Quer viajar para a China para conhecer o país durante uns 3 meses? Que ótimo! Se você só falar inglês, é semi-impossível se comunicar com alguém por lá. Se você não se comunicar, não vai abstrair nada da viagem. Legal então é aprender mandarim! Mas a não ser que você seja um magnata do petróleo desocupado, não gastará 4 anos da sua vida para estudar mandarim e só então ir para a China para passar míseros 3 meses.

Sabia que um simples jornal na China usa aproximadamente 3000 ideogramas? Tente estudar isso a sério enquanto você tem um emprego de 40 horas semanais ou uma faculdade pra levar.

b) Família e amigos
Você nunca quis criar uma língua nova pra falar com os seus amigos? Então, é a mesma coisa, mas o Zamenhof já fez a parte chata por você e com acurada competência. Você pode falar coisas indistingüíveis para seus pais, passar cola nas provas, bancar o estrangeiro em filas de banco com seus amigos, usar a língua em uma partida de RPG… tem a vantagem de ser bem mais fácil do que aprender o élfico tolkeniano.

c) Estudo e pesquisa
De repente você pode encontrar informações sobre algum tópico somente em Esperanto (ou em alguma outra língua; lembre-se, 3000 ideogramas!). Há várias obras literárias traduzidas para o Esperanto e até escrita diretamente nesta língua.

Experiência própria. Existe um livro do Bulgakov, “Master i Margarita” (em russo), que mal pude encontrá-lo em inglês, quem dera em português. Até que em um belo dia encontrei uma tradução para o esperanto: “La Majstro Kaj Margarita”.


Olha aí o danado.

d) Estudo de outras línguas
Foi comprovado que o Esperanto auxilia no estudo de outras línguas, pois treina o seu cérebro a pensar de uma forma que mexe com o esqueleto da linguagem, sobretudo o de sua própria língua mãe. Além do mais, seu vocabulário se expande rápido, já que várias palavras presentes no Esperanto estão também presentes em diversas línguas indo-européias.

Em certa experiência, um grupo de estudantes do ensino secundário estudou Esperanto durante 6 meses e, depois, francês durante ano e meio, obtendo um melhor conhecimento de francês do que o grupo de controle que estudou só o francês durante dois anos. Alguns outros estudos sugerem que o aprendizado de klingon e língua do P e do W também são potencialmente facilitados após o domínio do esperanto.

“Wer fremde Sprachen nicht kennt, weiß nichts von seiner eigenen”. Aqueles que não conhecem as línguas estrangeiras, não sabem nada sobre a própria língua.

(Johann Wolfgang von Goethe)

e) Círculo social
100% das pessoas que conheci que se afeiçoaram pelo esperanto são extremamente interessantes e gente boníssima, tanto pela Internet quanto na vida real. Sim! Existem bares e encontros de esperantistas por todos os lugares…


… até mesmo no Second Life

Die Grenzen meiner Sprache bedeuten die Grenzen meiner Welt. Os limites da minha língua são os limites do meu universo.

(Ludwig Wittgenstein)

Qual é a vantagem do esperanto como língua mundial?

Imagine a seguinte hipótese: você está sentado no trono do banheiro, cagando tranqüilamente e, subitamente, resolve compilar em um romance todas as idéias que você havia tido até então. Devem ser umas pérolas! Por que não mostrá-las ao mundo? Oras, se você quer que o mundo inteiro saiba da sua filosofia de banheiro, melhor escrever nas duas línguas mais faladas — ou inglês, ou chinês. Tomemos o inglês, por motivos óbvios (3 mil ideogramas!).

Você se toca logo nos primeiros parágrafos de que não tem capacidade de se expressar nessa língua. Eu, por exemplo, achava que falava bem o inglês. Sempre conversei nesta língua pela Internet, exceto com americanos e ingleses, pois eles raramente entendiam o meu senso de humor e eu o deles, além de não terem muita paciência quando me fogem os termos e eu fico um bom tempo pensando pra escrever.

Também já morei em um pensionato com um alemão. Ele falava um inglês meio porco, mas falava. Também morei com um espanhol, mas ele só falava espanhol e francês, não falava português nem inglês. Sabe quando você entra em modo “espectador” no Counter Strike? Então, ele só ficava flutuando pela casa, sem interagir com ninguém.

Gosto de divagar, mas voltemos ao seu livro.

Já que você não consegue se expressar, é bom fazer um curso de inglês. Alguns bons anos já bastam, até você chegar no inglês literário. Após esses anos, você não é nenhum William Shakespeare, mas consegue escrever razoavelmente bem, com algumas pequenas gafes aqui e ali.

Surge agora outro problema. O jeito como nos expressamos no Brasil é diferente de como nos expressamos nos Estados Unidos. Americanos nunca entenderiam como sua mente realmente funciona e nem você sabe como fazê-los entender, pois a recíproca é verdadeira. Vamos resolver isso! Compre uma passagem e espere seu visto ser liberado para os Estados Unidos. Creio que um ou dois anos sejam o suficiente para você se adaptar e mergulhar de ponta-cabeça na cultura americana e na cabeça dos yankees (não fisicamente).

Agora você já pode escrever seu livro! Seu inglês é bem mais avançado e você sabe como pensar em “americano”. Com alguma sorte, seu livro “Pensamentos de Privada – uma Abordagem Crítica” já pode ser lançado e estará em pé de igualdade com algum livro do gênero escrito por um americano. Ops, tem agora um problema. Um americano entenderá sua mensagem, mas e um inglês? O inglês britânico é diferente do americano. E os japoneses, alemães, chineses, árabes? Eles também são parte do Planeta Marte. Você não queria que o mundo todo lesse seu livro? Nem todos estarão aptos a ler um inglês avançado, tampouco compreenderão a filosofia brasileira pseudo-americana do seu cérebro de coco-verde.

Alguns países têm um certo afastamento natural do inglês por motivos históricos, como alguns do Oriente Médio. Alguém no Iraque, suponho, será terrivelmente relutante à idéia de aprender o idioma dos Estados Unidos. Estes, então, estarão mais fodidos ainda caso queiram saber o que um brasileiro pensa enquanto caga.

Além do mais, quando a língua nativa de algum país predomina sobre o mundo, outras culturas são sobrepujadas pela cultura daquele. Com o uso do Esperanto, por não ser uma língua nativa de qualquer país, põe todo mundo em pé de igualdade para produzir e expor a cultura de qualquer lugar que seja, sem que ela seja imposta sobre outros países com a mão da cultura consumista.

Você fala demais, hein?

Eu me empolguei.

Tá, talvez o inglês não seja tão “universal” assim. Mas não seria utopia imaginar uma língua que fosse falada por todos?

O Esperanto é extremamente fácil de ser aprendido por qualquer pessoa nesse planeta, eu juro, e com baixíssimos custos, quiçá nenhum. A estrutura da língua é suficientemente simples para até o peixinho dourado do seu aquário aprender.

Como é o Esperanto?

Pode ser descrita como uma linguagem que é lexicamente românica e morfologicamente aglutinativa (nossa, adoro parecer inteligente). A fonética, gramática, vocabulário e semântica são baseadas nas línguas indo-européias. O inventário fonêmico é essencialmente eslavo, assim como boa parte da semântica, enquanto o vocabulário deriva primariamente das línguas românicas, com uma suave contribuição do germânico. Outros aspectos da língua foram influenciadas pelo russo, polonês, alemão e francês.
Se isso não quer dizer nada para você, imagine uma mistura de romeno, italiano e alemão. Bonito, né?

A regularidade da língua é outro forte do Esperanto. Basta você tomar uma raíz qualquer, e acrescentar sufixos e prefixos para dar o sentido desejado. Tomemos como exemplo a raíz -akv- (referente a idéia de “água”).

Substantivo (sufixo -o): akvo (água)
Adjetivo (sufixo -a): akva (aquoso)
Advérbio (sufixo -e): akve (aquosamente)
Verbo (infinitivo, sufixo -i): akvi (estar em forma aquosa)
Substantivo no plural (sufixo -oj): akvoj (águas)
Formação de novos substantivos: akvofalo (akvo = água, falo = queda, akvofalo = cachoeira).

A pronúncia das palavras é algo muito simples. Cada letra tem o seu som e isso nunca irá variar. Assim como o fato de sempre a penúltima sílaba da palavra ser tônica (AKvo, AKva, akvoFAlo).

Aqui seguem alguns exemplos de palavras que vieram do:

Latim: sed (mas), tamen (no entanto), post (após), kvankam (apesar de), hodia? (hoje) e o sufixo adverbial -e.
Grego clássico: kaj (e), pri (sobre), o sufixo de plural -j, o caso acusativo com sufixo -n (”musa” em grego se escreve musa, musaj, musan e no Esperanto é muzo, muzoj, muzon”.
Russo e Polonês: celo (objetivo), klopodi (esforçar), krom (exceto), nepre (absolutamente), nu (bem!), ol (do que), prava (correto em opinião).
Lituânio: tuj (imediatamente)

Aqui segue um exemplo de como o Esperanto se parece:

“Tri ringoj por la elfoj sub la hela ĉiel’,
Sep por la gnomoj en salonoj el ŝton’.
Naŭ por la homoj sub la morto-sigel’,
Unu por la Nigra Reĝo sur la nigra tron’
Kie kuŝas Ombroj en Mordora Land’.
Unu Ringo ilin regas, Unu ilin prenas,
Unu Ringo en mallumon ilin gvidas kaj katenas
Kie kuŝas Ombroj en Mordora Land’.”

(Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, traduzido para o Esperanto)

Se a língua for simples assim, então não deve ser muito rica…

Você pode montar as palavras a belprazer, com o sentido e conotação que você desejar. Isto torna o esperanto uma das línguas mais fiéis para tradução, assim como para se expressar e também para linguagem científica.

Qual o alfabeto usado no Esperanto?

Alfabeto latino, com alguns caracteres adicionais (paginação Latin-3): ĉ (tch), ŝ (sh), ĵ (j, como em jato), ĝ (dgi), ŭ (u curto, como em auto), ĥ (r, como em rato, mas gutural).

Existem outras línguas inventadas, tipo o Esperanto?

Além da Língua do P? Hmmm… sim. Se chamava Volapük. Foi criada em 1879 por Johann Martin Schleyer, um padre católico em Balden, Alemanha. Scheleyer afirma haver sentido Deus falar com ele em um sonho, para que criasse uma língua internacional. Volapük teve a primeira sua primeira convenção em 1884 (Friedrichshafen), 1887 (Munich), e 1889 (Paris).

E deu certo?

Nem tanto. A língua era um trabalho excepcional e caprichado, mas extremamente difícil para qualquer um aprender. Nas convenções, ninguém se entendia. Quando o Esperanto surgiu em 1887, sendo muito mais fácil de aprender, o Volapük foi à falência total.

O Fat obas, kel binol in süls, paisaludomöz nem ola!
Kömomöd monargän ola!
Jenomöz vil olik, äs in sül, i su tal!
Bodi obsik vädeliki govolös obes adelo!
E pardolös obes debis obsik,
äs id obs aipardobs debeles obas.
E no obis nindukolös in tendadi;
sod aidalivolös obis de bas.
Jenosöd!

(Reza “Pai Nosso”, em Volupük. Macabro, não?)

Quantas pessoas no mundo falam Esperanto atualmente?

Difícil saber, mas estima-se que há entre 2 e 10 milhões.

Há alguma relação entre Esperanto e Espiritismo?

Não, apesar do Espiritismo encorajar o aprendizado da língua por causa da filosofia de união e igualdade mundial. Outras religiões também encorajam tal, como a Oomoto e a Fé Bahá’í. Alguns esperantistas dizem também que o Esperanto foi uma linguagem projetada no plano astral e repassada a Zamenhof. Mas nisso, você acredita se quiser.

Bah, Esperanto é uma língua que foi inventada só pra falar sobre Esperanto.

De onde você tirou essa idéia insensata? Existem revistas (sim, de papel ou virtuais) sobre cultura geral, ciência e tecnologia, cosmologia, humor, religão etc.


Revista em esperanto sobre assuntos genéricos, de culinária a tendências no mercado de bolinhas de golfe.

Algumas rádios também transmitem parte da programação em Esperanto, como por exemplo, a Radio Polonia. Clique aqui e ouça um pouquinho.

O vídeo abaixo é de um coral brasileiro cantando uma canção folclórica da Catalunha em esperanto. Vale a pena assistir e ouvir, também pela breve explicação no começo do vídeo.

Não gosto dessas coisas, prefiro algo mais divertido.

Alguns cartunistas como o Ziraldo escrevem diretamente em Esperanto ou permitem que suas obras sejam traduzidas.


“Malvados” em esperanto

Há pessoas que também estão em projetos de tradução de jogos para computador, como também de manuais e interfaces gráficas do Linux.

Dá pra ganhar dinheiro com Esperanto?

Não sei, mas se você descobrir, me avise.

“Hoje embolsei R$34,95 por uma tradução de português pra esperanto. Acabo de confirmar o depósito no caixa eletrônico e vim apressado pra casa pra finalmente responder por experiência própria que sim, dá pra ganhar dinheiro com esperanto.”
(Esperantista que não quis se identificar)

Dá pra usar no computador?

Sim, graças aos caracteres Unicode você pode escrever até em cantonês. O jeito mais fácil que eu conheço é instalar um suporte ao Português Unicode nas configurações do Windows. O programa que faz isso automaticamente se chama EoKlavaro.

Para usar os caracteres diferentes (como ŝ ou ĝ), basta usar o acento circunflexo (^) antes das letras, como se fosse acentuá-las e pronto! Ah, e os acentos normais do português continuam os mesmos. Bacana, né?

E se eu não quiser instalar isso?

Você pode usar a letra “x” depois das letras “esquisitinhas”. Desse modo, ĝ = gx, e ĵ = jx. Se você escrever assim na Internet, não haverá problema nenhum e todos te entenderão.

Parece tudo muito fácil. Tem alguma coisa que possa me assustar nessa língua?

O indivíduo que exerce uma ação expressa pelo verbo é o praticante ou sujeito da oração; aquele sobre o qual diretamente incide a ação do sujeito é o complemento direto, também denominado objeto direto. Nesse caso, o objeto recebe um sufixo -n para indicar a declinação do “acusativo”. Dessa maneira, o sentido da frase estará mais imbutido nas palavras do que na frase em si. Exemplo:

Vidi la patron = La patron vidi (”Ver o pai”. Vidi = ver, la = o(a)(s), patro = pai).

Ha! Sabia que tinha alguma treta… esse negócio de “declinações” deve ser um pé no saco.

Isso é preguiça da nossa parte. Diversas línguas usam declinações e elas são muito úteis. Isso faz com que a ordem das palavras na frase seja menos relevante, tornando-as muito mais flexíveis. O alemão tem 4 declinações, o latim e grego têm 5, russo têm 6 e o finlandês tem 14. Vai encarar?

Existiu alguém famoso que apreciava o Esperanto? Sou maria-vai-com-as-outras!

Sim. Guimarães Rosa, João Paulo II, Einstein, Eduardo VII da Inglaterra, Mahatma Gandhi, Mao Tse Tung, Pio XII, João XXIII, Pelé, Julio Verne, Baudoin de Courtenay, Otto Jespersen, entre vários outros.

O Esperanto já deu o ar da graça por aí e eu não percebi?

Com certeza! Dois filmes foram produzidos com diálogos inteiramente em Esperanto: Angoroj, em 1964 e Incubus (estrelando William Shatner em 1965). O filme Gattaca também usa o Esperanto no anúncio de coisas através de sistemas de endereços públicos.


Incubus de 1965. Zumbis, loiras possuídas, Capitão Kirk e esperanto — o que mais pode haver de bom?

O anime RahXephon faz uso do Esperanto para o acrônimo de TERRA, que significa “Tereno Empireo Rapidmova Reakcii Armeo”. Isso pode ser traduzido como “Exército de Resposta Rápida do Império da Terra”, apesar de que o safado que criou isso provavelmente não falava esperanto. Um Esperanto mais correto seria “Rapid-Reaga Armeo de La Tera Imperio”.

O compositor americano Lou Harrison, que incorporou vários estilos e instrumentos provenientes de diversas culturas, usava o Esperanto para dar nomes às suas músicas.

O MMORPG Final Fantasy XI usa o Esperanto no tema de abertura, em uma parte da música chamada de “Memoro de la Ŝtono”, que traduzindo quer dizer “Memória da Pedra”.

No filme Blade III, há uma cena em que o diálogo é feito em Esperanto. Muitos sinais são perceptíveis nesse filme, que são escritos em Esperantos. Inclusive, um dos personagens é visto assistindo Incubus.

No filme “O Grande Ditador” de Charlie Chaplin, os letreiros das lojas são todos escritos em esperanto.

Tudo bem, por onde eu começo?

Você pode começar por:
Curso de Esperanto – programa para aprender esperanto pelo computador
Lernu.net – Alguns toques sobre o aprendizado da língua
Esperanto UNICAMP – Novidades vindas do núcleo de estudos de Esperanto da Universidade de Campinas. Anúncios de cursos, palestras, e tudo de supimpa que você possa querer assistir!

Envie sugestões e críticas para o e-mail: cafetron@nebulosabar.com

Fontes

Esperanto новости (em russo)
Finnish Grammar – Cases (em inglês)
Wikipedia – Esperanto (em inglês)
Wikipedia – Latin (em inglês)

Agradecimentos

Comunidade Esperanto – Língua Mundial e Esperanto Brasil no Orkut, em especial para Paulo Geyer, Wellington Nascimento, Raoni Souza, Felipe Queiroz e Marcus Aurelius Farias, pelas correções e sugestões.

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