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O que uma dieta vegetariana pode fazer pelo mundo?

Muitas pessoas acreditam que a dieta vegetariana não traz benefício algum em questões socio-econômicas, outros acreditam que se o mundo se tornasse vegetariano, um volume muito maior de água seria utilizado e vastas extensões de terra seriam desmatadas para o cultivo exclusivo de soja.

Para esclarecer os mitos a respeito desse assunto, resolvi pesquisar uma infinidade de dados estatísticos e criar um sistema fechado para simular uma “fazenda vegetariana” e uma “fazenda carnívora”.

O resultado deste pequeno estudo estatístico, que poderia e deveria ser feito por qualquer cidadão com acesso à Internet, mostra que nosso atual modo de vida em relação à alimentação desempenha um papel considerável na fome do mundo, no desmatamento e no aquecimento global. Não é invenção, nem exagero, está tudo na ponta do lápis.

Metodologia

Imaginemos duas fazendas e um grupo de pessoas isoladas. Tomemos como base, primeiramente, a fazenda hipotética do Seu João, fazendeiro e pecuarista imaginário de nosso cenário. Seu João cria bois puramente para a venda de sua carne. Os dados são os seguintes:

Número de cabeças: 100
Peso de cada cabeça: 300kg

Segundo Seu João, a matéria seca é perfeitamente razoável para tratar o boi, e ela deve ser constuída de cana-de-açúcar, milho, farelo de algodão e farelo de trigo. Além destas iguarias, o boi precisa de um pasto fresco, sendo que, para um pastejo de qualidade média, haja uma quantidade de 1,75 cabeças/ha para que eles não disputem entre si pela comida, havendo melhor aproveitamento do animal.

A Tabela 1 mostra qual seria o tamanho do pasto ideal para comportar todas as cabeças, assim como a área mínima necessária para o plantio destinado à ração, de modo que cada boi consuma em matéria seca 3% do seu peso.

Fazenda do Seu João (pecuária)

Ingredientes
Fração da
ração
(%)
Massa
(kg/dia)
Área de
cultivo (ha)
Cana-de-açúcar
68%
611
Milho em grão, moído
14%
122
Farelo de algodão
12%
104
Farelo de trigo
6%
57
Pastagem
57,14
Total
100%
1192
57,73

Tabela 1: Fazenda do Seu João para pecuária – Área de cultivo para a ração e pasto, assim como a quantidade diária de cada grão necessária para todo o gado.

Sabemos agora que a fazenda do Seu João possui aproximadamente 58 hectares de terra, sendo que 57 hectares são destinados à pastagem pura e simplesmente.

Sabe-se também que um um não-vegetariano consome em média 200g de carne por refeição e que aproximadamente metade do boi é aproveitado para consumo humano. Com todas estas estatísticas em mãos, seguem abaixo todos os dados sobre a produção da fazenda do Seu João.

Área total (pasto + plantações): 57,73 hectares
Pessoas alimentadas: 37.500/dia

Tomemos agora esta área e estudemos a fazenda do Seu Joaquim. Ele não é pecuarista; Seu Joaquim planta grãos mínimos necessários para uma alimentação vegetariana. Tomando a quantidade de nutrientes existentes na carne (exceto gorduras) e projetando-a em uma porção de soja + milho + hortaliças + trigo, e fixando o tamanho total da propriedade (58 ha), estima-se na Tabela 2 como seria a fazenda do Seu Joaquim.

Observação: parte-se do conceito da equivalência nutricional entre refeições vegetarianas e não-vegetarianas, ou seja, vegetarianos não passam fome nem são desnutridos. Considero esta afirmação uma verdade, pois se a dieta vegetariana fosse prejudicial ao ser humano, ou não haveria vegetarianos vivos no mundo, ou vegetarianos são mutantes e disparam relâmpagos pela bunda. Infelizmente não vi nenhum desses ainda. Seria um espetáculo à parte.

Fazenda do Seu Joaquim (agricultura)

Ingredientes
Área de
cultivo (ha)
Massa (kg/dia)
Soja
86 mil
Milho
60,4 mil
Hortaliças
16,1 mil
Trigo
10,3 mil
Total
57,73
173,7 mil

Tabela 2 – A Fazenda do Seu Joaquim. A área que seria destinada à pastagem é, neste caso, substituída pelo cultivo destinado à alimentação humana.

Juntando a informação obtida a partir de toda essa pesquisa, prestemos bastante atenção na Tabela 3, que mostra agora as diferenças entre uma dieta vegetariana e não-vegetariana em questões sociais e ambientais.

Item
Fazenda
Não-vegetariana
Fazenda
Vegetariana
Área (ha)
57,3
57,3
Pessoas alimentadas
37.500
434.148*
Metano produzido (m³/dia)

* O valor calculado aqui é próximo da estimativa encontrada na literatura.

Conclusão

Se você ainda não foi capaz de compreender o papel desempenhado pelo modo de vida vegetariano em nosso planeta, talvez desenhando você abstraia melhor a idéia.

57,73 ha
57,73 ha

A fazenda do Seu João e a do Seu Joaquim, uma destinada à pecuária e outra para a agricultura. Repare que ambas possuem a mesma área total, mas a fazenda do Seu Joaquim é amplamente melhor aproveitada. Imagine quantos hectares de floresta nativa foram e são derrubados para que se garanta carne na mesa de toda a população mundial.

37.500 pessoas/dia
434.148 pessoas/dia

Enquanto a fazenda pecuarista alimentaria 37.500 pessoas por dia, a mesma área em vegetais alimentaria 434.148 pessoas. A proporção é gritante e, como você pode verificar através das fontes em forma de links, nenhum valor foi inventado para este cálculo.

1 planeta Terra/dia
10 planetas Terra/dia

Se tais números não lhe fazem muito sentido, imagine que se toda a população do planeta fosse vegetariana, haveria alimento suficiente para 10 planetas. Infelizmente esta é uma estimativa otimista, pois nem todo o mundo tem acesso à alimentação. Atualmente, quase 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. Se 100 milhões de pessoas se tornassem vegetarianas e as fazendas pecuaristas que as alimentavam se tornassem plenamente agriculturais, este 1 bilhão não morreria de inanição.

60.000 m³ de metano / dia
0 m³ de metano / dia

Uma vaca produz em média 600 litros por dia deste gás. O metano retém 25 vezes mais calor que o

gás carbônico, sendo um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.

Contando com todos esses fatores que mostram quão vantajoso é uma dieta sem carne, desprezando fatores relacionados à saúde do ser humano, ainda foram deixados de lado alguns itens, tais como:

Esterco do gado: uma parte do esterco produzido é reaproveitado em forma de adubo. Uma outra parte, no entanto, não pode ser reutilizada pela alta quantidade de hormônios e outras substâncias nocivas ao plantio e ao consumo humano. Infelizmente, muitas vezes este esterco atinge os lençóis freáticos e contaminam uma região vasta.

Lavagem das carcaças: depois do abate, o desperdício de água para a limpeza das carcaças chega a limites hediondos que, por falta de valores precisos, não foi inserido em nossos cálculos.

Energia elétrica: mais energia é necessária para tocar uma fazenda pecuarista. Para produzir mais energia elétrica, inutiliza-se mais água e floresta nativa, dependendo do tipo de usina.

Combustíveis fósseis: o transporte de carne é muito mais trabalhoso que o de vegetais, exigindo mais dos motores e gastando mais combustível.

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