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Relato de um homem normal, que sempre criticou o vegetarianismo, mas deixou de comer carne.

O mundo está caminhando para a beira do abismo e todos sabem disso. Superpopulação, poluição, destruição da natureza, esgotamento dos recursos naturais, violência, ignorância, fome, doenças, corrupção. Tal fato é facilmente constatado no seu dia-a-dia ou através de jornais. No entanto, o que você está fazendo para resolver os problemas do mundo? Como você está agindo para se tornar um ser humano melhor e digno de habitar este planeta?

Se de repente você deixar de comer carne, alguma coisa irá melhorar? A grande maioria vai continuar comprando aquela empadoca de carne com azeitona no terminal depois do serviço, os animais continuarão morrendo para virar comida e mundo continuará com seu curso usual. Por que se tornar vegetariano? “Você sozinho não vai mudar nada”, é o que se ouve o tempo todo. Tentarei, através deste humilde e cremoso manifesto, expôr porque aderi ao vegetarianismo e como esta ação, por menor que seja, pode simbolizar uma melhoria considerável para o lugar onde vivemos.

“Um símbolo, por si só, não possui sentido algum. São as pessoas que atribuem valor aos símbolos e, com a ajuda da população, um pequeno ato pode mudar o mundo.”

Tenho 23 anos, graduando em Física na Universidade Estadual de Campinas. As questões a seguir são dúvidas que comumente surgem e, neste caso, foram expostas em um fórum de discussões de Internet.

Não adianta ficar falando, o ser humano nunca vai mudar. Quero mais é que essa bosta se exploda.

Eu prefiro acreditar que o ser humano não é um símio, que não possa sobrepujar o descontrole do instinto e tomar consciência das merdas que faz. É muito fácil e cômodo esperar que o planeta se exploda sem fazer nada. Todos deveriam fazer a sua parte! De repente, você pode ser o diferencial que inverterá a balança. A humanidade, hoje, se comporta como uma praga. Mas podemos mudar isso… basta querer, sem esperar que meio mundo dê o primeiro passo.

“Sejam legais uns com os outros!”

— Bill e Ted

 

E a crueldade com animais tem algum papel nessa desgraça toda?

BOVINOS

A grande maioria dos 176 milhões de bois e vacas brasileiros – precisamente um para cada pessoa, perfazendo o maior rebanho de corte do planeta – até tem vantagens em relação ao gado europeu e americano. É que nossos produtores não conseguiram implantar na maior parte do território nacional o sistema intensivo de criação, em que os animais ficam trancados em baias apertadas, comendo sem parar. Esse sistema é mais eficiente – o animal engorda mais, cresce mais rápido, é abatido antes. E o produtor ganha mais dinheiro. Mas a vida de uma vaca confinada é miserável. Felizmente, para nossos bovinos, o clima brasileiro é quente demais para o confinamento. Por isso, quase todo o gado fica solto no pasto.

Solto não quer dizer bem-tratado. “O manejo no Brasil é muito bruto”, diz o especialista em comportamento animal Mateus Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, São Paulo. Mateus é um dos principais especialistas brasileiros em bem-estar animal. Ele conta que o gado brasileiro muitas vezes sofre com falta de água e de cuidados médicos.

SUÍNOS

Nossas vacas são animais de sorte se comparadas aos 30 milhões de porcos brasileiros. Estes sofrem bem mais. O modo usual de criá-los é mantê-los a vida toda – do nascimento ao abate – em cubículos tão apertados que até ficar parado é desconfortável.

AVES

Nenhum outro animal foi tão longe no processo de “coisificação”. Frangos e galinhas mal são encarados como “animais” por muitos produtores – tanto que as estatísticas não falam em “rebanho”, mas em “estoque”. O esquema de produção muda radicalmente as aves. Seus bicos são cortados para lhes tirar a habilidade de escolher o alimento e obrigá-las a comer a ração toda – e assim engordar rápido. A falta do bico serve também para evitar que elas se matem na disputa por espaço. É que elas vivem em grupos de até meia dúzia num lugar onde não cabe mais nada.

As luzes ficam acesas 18 horas por dia, um truque para enganar o relógio biológico dos animais. Assim, eles não dormem quase nada. E como não há muita distração no galpão, comem sem parar. Entre os comportamentos “neuróticos” que desenvolvem, está o de esfregar o corpo na grade até arrancar penas e sangue. A criação é tão brutal que uma em cada dez galinhas morre. O custo dessas mortes está incluído no processo – vale a pena para o produtor perder 10% do seu “estoque”, tendo em vista a economia que ele tem com espaço. Submetidas a condições de vida tão precárias, é comum que as galinhas precisem de antibióticos para continuar vivas.

Tá, então me diga como você faz sua parte.

De todas as maneiras sutis que posso encontrar. Estou tentando aderir ao vegetarianismo e não é somente por questão de saúde. Se a única maneira de barrar uma carnificina desmedida é afetando o bolso de quem dá as cartas, então que o meu dinheiro não seja empregado ali.

Claro. Pode-se imaginar que eu não coma carne, mas continue fumando, então estaria contribuindo para a indústria do tabaco (que também não é nada correta). Ainda assim, fazer alguma coisa, por menor que seja, é melhor do que fazer nada. Tentarei buscar como dar o melhor de mim em prol da humanidade cada vez mais, e de uma forma cada vez mais eficiente. Porém, é um processo lento e trabalhoso. Não se pode esperar que tudo mude da água pro vinho repentinamente . Não se deve mostrar a luz do Sol a alguém que passou a vida no escuro, pois ela se cegaria. Por isso acho que todos deveríamos acordar para o mundo e reverter o caos que está por vir, o mais rápido possível. Eu mesmo acho que olhei para o próprio umbigo, somente, por tempo demais.

“Nada beneficiará mais a saúde da humanidade e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a dieta vegetariana.”

— Albert Einstein

Quer outro exemplo? Só o simples fato de estar escrevendo essa página já é algo. Eu poderia muito bem deixar de comer carne e ficar quieto, sem contar pra ninguém, assim evitaria zoações. Mas não, estou me mobilizando e tentando esclarecer a todos, ou pelo menos acender a fagulha necessária para que os outros se movam também, para um lado ou para o outro – mas que não fiquem eternamente acomodados em suas cadeiras esperando que o mundo se solucione por si só.

Mais um OUTRO exemplo ainda? Eu estava desistindo de terminar a Licenciatura e partir para o Bacharelado, me trancafiar em um laboratório e ganhar o meu rico dinheirinho, até conseguir um caixa-forte do tamanho de um prédio e guardar minha moedinha número 1 em uma redoma de vidro, lá em Patópolis. Mesmo que eu venha a ter um outro emprego, escolhi também me tornar professor. Um professor é um mensageiro, é um transmissor de conhecimento e é responsável por conscientizar aqueles que precisam de um enquadramento. Talvez dessa forma, eu esteja potencializando minhas vias de transmitir aquilo que penso. Assim como eu adoraria, como professor, mudar o sistema de ensino, que ao meu escopo, está completamente errado e caminhando pra desgraça das gerações futuras. Falta rumo por falta do governo e sobra descaso de alguns professores frente à Educação. Espero profundamente fazer alguma diferença nesse ponto também. Vê? Cada um faz aquilo que pode. O vegetarianismo é só um dos infinitos exemplos do que um cidadão do mundo pode fazer, e não deve ser criticado de maneira alguma.

Deixamos de comer carne e aí? Uma superpopulação de vacas?

Esse é o menor dos problemas. Criamos um número absurdamente alto de vacas pra satisfazer o consumo mundial. Elas passam por tratamento de fertilização para parir um bezerro atrás do outro, até definharem.

Mas não estou enfocando o problema das fábricas de carne como o mal extremo do planeta. Além desse tipo de crueldade, há a crueldade com outros seres humanos. Há outras coisas a serem feitas e que podem igualmente ajudar. Eu poderia lançar tudo pro alto e me tornar voluntário em algum país da África, mas optei por deixar de comer carne. Mesmo porque, com a minha destreza de troll lobotomizado, eu seria um fracasso como trabalhador voluntário, mesmo que seja pra carregar caixa de rapadura. Cada um faz aquilo que está ao seu alcance e/ou que lhe torne mais eficaz.

Vegetais também são seres vivos. Cadê a consideração por eles? Bactérias também. Antibióticos = genocídio. No entanto, não vejo nenhum grupo para proteger seus interesses. Tenho duas suposições: esse pessoal é tão cego pelos seus ideais, que não são capazes de notar as falhas em seus próprios argumentos (‘especismo’ ftl) e/ou simplesmente optam por sangue e vísceras, que certamente dão mais ibope que seiva, raízes, e citoplasma.

Toda morte, que não seja de uma forma natural, implica em dor descomunal e sofrimento desnecessário.
Mesmo supondo que uma planta tenha terminações nervosas iguais às de um macaco, galhos quebram, frutos caem, raízes são arrancadas com a menor das rajadas de vento. Comer uma espiga de milho ou um pé de brócolis continua sendo uma ação natural, decorrência da própria natureza. No entanto, um leão não pendura um cervo de ponta cabeça e o dessangra vivo. Um gato come um rato sem tirar seu couro ainda pulsando.

Sem contar que você pode pegar uma muda de uma árvore e plantar outra, e mais outra, e mais outra. Ela não morrerá de tanto se multiplicar. Isso é completamente diferente de enseminar uma vaca premiada, dezenas de vezes seguidas, até que fique só o pó. É possível, também, que uma colheitadeira gigante tire a vida de vários insetos, roedores e aves que esteja nas plantações, na hora da colheita. Porém, como eu disse antes, não podemos ser perfeitos. De ninguém é cobrado isso, mas podemos sempre melhorar.

Não te passa pela cabeça que plantações consomem tantos recursos naturais quanto um pasto de vacas?

“(…)Outro número impressionante é o do uso da água. O animal precisa beber água para sobreviver. Durante sua vida no confinamento, o animal bebe água e depois a elimina através da urina. São galões e galões de água por animal, dia a pós dia, semana após semana até que o produto desejado seja obtido. Vocês podem não acreditar, mas nos Estados Unidos, 50% da água limpa do país é utilizada para a criação de animais. São utilizados entre 2.500 e 5.000 galões de água para produzir meio quilo de carne. (um galão equivale a 3,7 litros). Uma pessoa pode tomar 6 meses de banho, em média, com essa mesma quantidade de água. Para produzir meio quilo de tomate, de batata ou de trigo, são necessários 25 galões de água. Então a proporção de ineficiência, quando precisamos de 2.500 ou 5.000 galões para produzir meio quilo de carne, é de 100 ou 200 vezes mais. Para se produzir meio quilo de maçã são necessários 50 galões de água. Como vemos, há uma diferença brutal entre a quantidade necessária de água para a criação de animais e para a produção de frutas e vegetais.

Há também a questão das fezes e da urina. Em geral, as fazendas industriais não sabem o que fazer com o esterco produzido pelos animais. Nos Estados Unidos, eles simplesmente amontoam o esterco. Se você andar por uma fazenda industrial, vai ver montanhas de esterco. O solo e os rios acabam sendo poluídos por esse esterco. Uma vaca leiteira, em média, produz 50Kg de esterco por dia. Multipliquem isso pelo número de vacas leiteiras nos Estados Unidos. A quantidade de fezes e urina produzida em um único dia é enorme.

Quero também mostrar alguns outros números: cerca de 80% do milho e 90% da soja nos Estados Unidos são usados para alimentar animais. Quanto ao uso eficiente do solo, sabemos que é possível produzir 250 libras (113Kg) de carne em 1 acre (0,40 hectares) de terra. Nesse mesmo 1 acre de terra, podemos produzir 2.200 quilos de cereja, 11.300 quilos de maçã, 1.800 quilos de batata e 22.700 quilos de tomate. Então se a terra fosse cultivada, poderia haver uma redução da ineficiência do uso do solo. Em vez de 113 quilos de carne, produziríamos milhares de quilos de produtos comestíveis. Cerca de 50 veganos poderiam ser alimentados contra apenas 1 consumidor de carne. A proporção é 50 para 1.

Outro problema do sistema de alimentar os animais com plantas para depois matá-los e comê-los é o desperdício de nutrientes. Cerca de 90% da proteína, 99% dos carboidratos e 100% das fibras se perdem nesse ciclo. Nenhum produto animal tem fibra. Quase todos os nutrientes que o boi comeu se perdem.

Em relação ao combustível, à energia que entra no sistema, os números que posso apresentar são: são necessárias 78 calorias de combustível natural para produzir 1 caloria de carne bovina. Para produzir soja, por exemplo, são necessárias duas calorias de combustível natural para se produzir 1 caloria de proteína vegetal de soja. A proporção é de 39. Pode até ser menor, de 30, por exemplo, mas o que importa é a diferença entre a quantidade de combustível natural usada para produzir proteína animal e vegetal.

Nos Estados Unidos, cerca de 1/3 de toda a matéria prima provinda de fazendas, minas, florestas e fontes de combustíveis naturais é usada para a criação de animais. Tudo isso representa enormes danos ao meio-ambiente, além de alto custo. (…)”

Fonte: Palestra de Saurabh Dalal (resumo), 36° Congresso Vegetariano Mundial

Talvez um leão não pendure um cervo de ponta cabeça e tal, mas daí concluir que os humanos fazem isso por pura maldade e sacanagem é um puta exagero. Um leão pode não fazer o que você arbitrariamente definiu como “exagero desnecessário”, mas em compensação ele mira nos animais mais doentes e/ou jovens, persegue-os, derruba enfiando as garras na pele do cervo, e já começa a arrancar nacos do animal enquanto ele ainda esta vivo. Você decidiu sei lá porquê que isso é mais aceitável que enfiar a faca em um boi.

Um leão não conhece e nem dispõe de outro meio pra conseguir a comida. Se ele não fizer isso, ele não sobrevive. É uma coisa natural. Até então, o homem tem meios alternativos de conseguir comida sem definhar. Uns tem garras e dentes do tamanho da faca do John Rambo, outros tem inteligência. Se sabemos que não é necessário tirar a vida de outro animal, então por que fazê-lo e sermos cúmplices de uma carnificina, se temos capacidade de sobreviver de outra maneira?

É natural um ser humano milagrosamente multiplicar vacas, uma atrás da outra, e matar todas elas na unha? Podemos fazer como os leões, sim. Deixar que as vacas no mundo se reproduzam de forma natural, e sem cultivar pastos imensos pra criá-las, que serão moídas pra alimentar outras vacas que vão parar num rodízio a R$5,90 por pessoa. Aí então mataremos à medida que tenhamos necessidade, o suficiente para sobrevivermos. Mas como fazer isso sem desbancar os abatedouros em massa? Como se alimentar sem causar sofrimento a um ser vivente? E quando a população mundial chegar na casa do incontável? Partir para o vegetarianismo ainda é mais fácil que 6 bilhões de pessoas mantendo 6 bilhões de vaquinhas, uma por pessoa, amarrada no jardim da sua casa e arrancando um bife das suas costas sem torturá-las.

Penduramos uma vaca e cortamos a garganta dela até o sangue se esgotar porque é o método mais barato. Não é por maldade e sacanagem, o sadismo ainda não chegou nesse ponto. Arranca-se a pele de um bicho ainda vivo, porque é mais viável que gastar dinheiro com um veneno letal indolor antes de arrancar o couro. Aqui, a ganância fala mais alto que a necessidade.

Uma marca da nossa passagem por esse planeta é que modificamos o meio para melhor encaixar com nossas conveniências. Isso é um resultado da nossa inteligência. Você, como todo outro ser humano, aceita e tira proveito de todas essas coisas “não-naturais”, como remédios, roupas, Internet e automóveis. Usar a suposta não-naturalidade do nosso meio de vida como argumento é no mínimo hipócrita.

Não estou colocando no chão a idéia de que as modernisses de hoje em dia são condenáveis e vão contra qualquer lei do bom senso. Como você disse, nós temos inteligência. Então suponho que anti-natural seria não utilizá-la. Logo, se temos inteligência, por que agirmos como animais das savanas?

“Para prever o comportamento de uma pessoa ordinária, basta assumir que ela sempre tentará fugir de uma adversidade com o menor gasto de inteligência possível.”

— Friedrich Nietzsche

“ O selvagem, embora feroz e instintivo, serve-se da carne pela necessidade exclusiva de nutrição e sem transformá-la em motivos para banquetes e libações de natureza requintada; entre os civilizados, entretanto, revivem esses mesmos apetites do selvagem mas, paradoxalmente, de modo mais exigente, servindo de pretexto para noitadas de prazer, sob as luzes fulgurantes dos luxuosos hotéis e restaurantes modernos. Criaturas ruidosas, álacres, e que apregoam a posse de genial intelecto, devoram, em mesas festivas, os cadáveres dos animais, regados pelos temperos excitantes, enquanto a orquestra famosa executa melodias que se casam aos odores da carne carbonizada ou do cozido fumegante! Mas sabei que as poéticas e sugestivas denominações dos pratos, expostas nos cardápios afidalgados, não livram o homem das conseqüências e da responsabilidade de devorar as vísceras do irmão inferior!

Apesar dos floreios culinários e do cardápio de iguarias “sui generis”, que tentam atenuar o aspecto repugnante das vitualhas sangrentas, os homens carnívoros não conseguem esconder a realidade do apetite desregrado humano! Aqui, a designação de “dobradinha à moda da casa” apenas disfarça o repulsivo ensopado de estômago de boi; ali, os sugestivos “miúdos à milanesa” são apenas retalhos de vesículas e fígado, traindo o sabor amargo da bílis animal; acolá, os “apetitosos rins no espeto” não conseguem sublimar a sua natureza de órgãos excretores da albumina e da uréia, que ainda se estagnam sob o cutelo mortífero. Embora se queira louvar o esforço do mestre culinário, o “mocotó à européia” não passa de viscoso mingau de óleo lubrificante de boi abatido; os “frios à americana” não vão além de vitualha sangrenta, e a “feijoada completa” é apenas um nauseante charco de detritos cozidos na imundície do chouriço denegrido, dos pés, películas e retalhos arrepiantes do porco, que ainda se misturam à uréia da banha gordurosa!”

— Ramatis

O problema de vegetarianos é que freqüentemente eles aplicam valores éticos humanos a animais, como se um fosse equivalente ao outro, mais ou menos como se estivesse dizendo “matar um animal tem a mesma gravidade de matar um ser humano”. Eles não tem problemas psicológicos. E não adianta alongar o raciocínio dizendo que nossos métodos “doem mais” ou “há alternativas”. Por que temos a obrigação de ser “mais humanos” com seres que não são humanos?

Comparative psychology refers to the study of the behavior and mental life of animals other than human beings. It is related to disciplines outside of psychology that study animal behavior, such as ethology. Although the field of psychology is primarily concerned with humans, the behavior and mental processes of animals is also an important part of psychological research, either as a subject in its own right (e.g., animal cognition and ethology), or with strong emphasis about evolutionary links, and somewhat more controversiall y, as a way of gaining an insight into human psychology by means of comparison or via animal models of emotional and behavior systems as seen in neuroscience of psychology (e.g., affective neuroscience and social neuroscience).

Fonte: Psychology – Wikipedia

Atuando na base das comparações, se a psique animal pode ser comparada à psique humana, creio que o sofrimento deles é tão intenso quanto o nosso. Somos seres com o encéfalo altamente desenvolvido. Ao longo dos séculos, tomamos o planeta como se fosse categoricamente nosso e de mais nenhuma outra espécie. Nosso dever mínimo seria agir como os guardiões do mundo, como o irmão maior que cuida do caçula. Comparativamente, se há alguma humanidade em você, o mínimo que você poderia sentir é pena de um sacrifício animal.

“Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais. Os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.”

— Charles Darwin

Eu acho meio irônico que a galerinha carnívora se compadece tanto dos animais que se recusa a ver um vídeo de tortura aos animais, enquanto a galera defensora dos direitos dos bichos se excita toda e não apenas assiste a parada inteira como propagandeia o vídeo. “Olha o cara dando um murro na vaca, olha o outro cortando a cabeça da galinha fora! O quê? Você acha o negócio muito violento e degradante e não tem estômago pra assistir até o fim? ASSISTA ASSIM MESMO! Tem carnificinas melhores lá na frente”!
Quem parece o defensor de animais e quem parece o facínora desumano?

“Você acaba de jantar e apesar de escrupulosamente o abatedouro permanecer escondido no conforto da distância, ainda há cumplicidade.”

— Ralph Waldo Emerson

De que adianta deixar o ego inflado por ter parado de comer carne sozinho? A mobilização é uma peça chave. É como descobrir uma nova vacina e não avisar ninguém, em meio a uma praga. Se há alguma satisfação por parte de quem exibe esse tipo de vídeo ao mundo, tenha certeza que é a sensação de dever cumprido por tentar abrir os olhos das outras pessoas. Deixar a verdade de lado e simplesmente ignorá-la como um filme de mau gosto, com toda certeza, não fará de você um “defensor dos animais”.

Todos os nossos pratos hoje tem alguma carne no meio. Aposto que todo vegetariano passa fome.

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